sábado, 23 de fevereiro de 2019
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Pórtico da cidade de Cabedelo começa a ser retirado para obras na BR-230

Ainoã Geminiano / 19 de dezembro de 2018
Foto: Reprodução
O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) começou nessa terça-feira (18) a desmontar o pórtico que fica na entrada do bairro de Intermares, construído no ano de 2003, para demarcar o limite territorial do município de Cabedelo, além de homenagear a Fortaleza de Santa Catarina e as Ruínas de Almagre, únicos patrimônios históricos tombados no município. Apesar de abrir espaço para o alargamento da BR-230, a demolição do monumento tem dividido opiniões dos moradores, já que não há uma garantia do órgão responsável pela obra, de que o pórtico será reerguido em outro local.

A construção do equipamento foi aprovada em 2003 pela Prefeitura de Cabedelo e autorizada pelo Dnit. No entanto, agora, o mesmo órgão informou que será construída uma rua paralela à rodovia, passando exatamente no local onde está o pórtico. Na semana passada, o chefe do serviço da unidade local do Dnit, Rainer Branco, disse que a concessão para uso do local, feita em 2003, poderia ser cassada a qualquer momento e que a reconstrução do equipamento e outro local fica a cargo da Prefeitura.

Nessa terça-feira (18), a reportagem tentou ouvir novamente o representante do Dnit, para saber se havia uma nova deliberação sobre a destinação do pórtico, mas não conseguiu contato até o fechamento desta edição. No local da obra, funcionários não souberam informar o que será feito com as partes do equipamento, que começaram a ser retiradas no final da tarde, com uso de um guindaste. Erguido com uma base de alvenaria, peças de ferro e cabos de aço no topo, o pórtico começou a ser desmontado de cima pra baixo, com a retirada das partes menores.

O projeto do monumento é da arquiteta Sandra Moura, que foi procurada em 2003 pela Prefeitura de Cabedelo. À época o prefeito da cidade era o médico José Ribeiro de Farias Júnior, conhecido como “Dr Júnior”. Segundo ele, o objetivo era criar uma identidade territorial da cidade, demarcando o limite do município com João Pessoa.

"O desenvolvimento não pode destruir obras históricas. A história da humanidade é contada através de seus monumentos e de sua arquitetura. A gente não pode permitir que o avanço da infraestrutura impeça um pensamento mais avançado, de fazer com que ela seja preservada"


“Eram dois pórticos iguais. Um deles para ser instalado ao lado do rio que divide os bairros do Bessa e Intermares, onde foi colocado de fato e está até hoje. O outro deveria ser colocado às margens da BR-230, perto de onde está hoje o Manaíra Shopping, mas o Dnit não aprovou esse local, alegando que havia muito trânsito e ainda não tinha o viaduto, podendo dificultar o tráfego e provocar acidentes. Por isso decidimos instalar no acesso ao Intermares”, explicou e ex-gestor.

Tanto para Dr Júnior quanto para a arquiteta Sandra Moura, a obra tem um caráter histórico e não pode simplesmente ser descartada.

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