terça, 16 de julho de 2019
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População que estava no caminho da Transposição do Rio São Francisco está sem água

Fernanda Figueirêdo / 12 de junho de 2016
Foto: CHICO MARTINS
Prevista para terminar em dezembro, as obras de transposição das águas do Rio São Francisco estão, segundo o Ministério da Integração Nacional, 87,4% concluídas. Para quem vê de perto, a sensação é que resta muito trabalho pela frente. A obra teve início em julho de 2007, com um avanço médio de 0,8% por mês. O governo determinou agilidade às empresas para que fique pronta em seis meses. Para quem já esperou nove anos...

A água do Velho Chico é a última esperança do sertanejo fustigado pelos anos de severa estiagem. Mas, há impactos negativos. Em Monteiro, por exemplo, a construção do canal provocou a drenagem do lençol freático. Por conta disso, algumas famílias ficaram sem a água dos poços que abasteciam a região.

Esperança de muitos

Transposição das águas do Rio São Francisco vai beneficiar mais de 12 milhões de pessoas em 390 municípios de PE, CE, PB e RN.

Tristeza de outros

“Tristeza sim, porque minha vida mudou do dia pra noite sem que eu pudesse escolher nada. Sempre fui ribeirinho e o Rio Paraíba me dava sustento. Eu sei que tinha gente sem água e que vai ser bom pra eles, mas pra mim e pra outros não foi bom”, disse o agricultor Luciano dos Santos.

Luciano mora com a mãe Quitéria Fernandes dos Santos, 74, na Vila Lafayette, construída pelo Governo Federal com o intuito de assentar as 61 famílias entre Sertânia (PE) e Monteiro (PB) que tinham propriedades ao longo da extensão rural da obra na região. Eles e mais 60 famílias estão na localidade há aproximadamente três meses. A vila fica há 3 km da cidade de Monteiro. As casas possuem uma estrutura de 99 metros quadrados, com três quartos, sala, cozinha e banheiro. Além disso, os moradores que perderam suas casas foram indenizados com 5 hectares de terra, um deles irrigado.

Como ainda não há água para irrigar os hectares produtivos, os agricultores são assistidos pelo Governo Federal com uma renda temporária de um salário mínimo e meio por família. De acordo com a equipe técnica que acompanhou a visita da equipe de reportagem às obras de transposição em Sertânia e Monteiro, este valor é concedido aos moradores indenizados, porque eles foram condicionados a viver em uma área em que não têm, temporariamente, condição de plantar.

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