sábado, 19 de outubro de 2019
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Ponta do Seixas é roteiro bastante visitado, mas esquecido pelo poder público

Bárbara Wanderley / 27 de janeiro de 2019
Foto: Rizemberg Felipe
A cidade de João Pessoa é conhecida como o lugar onde o sol nasce primeiro e não por acaso. É na Ponta do Seixas que está localizado o ponto mais oriental do continente americano. O que deveria ser uma atração turística, porém, é um lugar desorganizado e esquecido. As barracas não seguem nenhum tipo de padrão e avançam pela praia de forma desordenada. Não há sequer uma placa indicando o local exato do ponto mais oriental das Américas.

“Nos meus 40 anos como diplomata, visitei vários lugares onde a localização de um acidente geográfico se transformou em atração turística. Na linha do Equador, por exemplo, existe um marco mostrando sua localização exata. Turistas recebem diplomas atestando que estiveram no local. Por que não fazemos a mesma coisa na Ponta do Seixas? A construção de um marco no exato local e a requalificação dos locais de comércio daria um perfil turístico diferenciado com benefícios econômicos para a comunidade. Quanto custaria construir um marco de pedra?”, comentou o escritor e diplomata Palmarí Lucena.

No local, a reportagem do CORREIO questionou alguns moradores da região que trabalham oferecendo passeios turísticos de catamarã sobre a localização do ponto mais extremo. As informações eram desencontradas. Enquanto uns diziam que o local exato era de um lado, outros apontavam na direção oposta.

O autônomo Luiz Cláudio dos Santos, que é do Rio de Janeiro e estava visitando João Pessoa pela primeira vez, sequer sabia que o ponto mais oriental das Américas era ali. “Mas a gente acabou de chegar, talvez o guia ainda vá explicar isso durante o passeio”, ponderou ele, que aguardava a saída do catamarã. Apesar da falta de informação, ele e a esposa afirmaram que estão gostando bastante da cidade e consideraram os preços de hospedagem e alimentação muito atrativos.

Promessas de padronização



Já Polyana Dantas, que também trabalha com o mesmo tipo de passeio, acredita que ainda há muito o que melhorar. Ela comentou que havia uma ideia de padronizar os bares e restaurantes localizados à beira-mar, mas a proposta nunca foi levada adiante, e contou que quando a maré está muito alta, atinge algumas barracas, chegando a levar pedaços. Para Palmarí Lucena, está claro que muitas barracas estão posicionadas na praia de forma irregular, invadindo o território da Marinha.

Além da estrutura das barracas, que poderia ser melhor, Polyana também afirmou que seria importante ter um posto policial no local. Isso porque, em algumas áreas mais afastadas e mal iluminadas costumam acontecer assaltos, o que também espanta clientes. “É tanto que nem recomendamos ao turista ir para aquela área”, disse apontando para uma rua de barro.

A chefe de projetos da Secretaria Municipal de Turismo (Setur), Eleonora Bronzeado, afirmou que a secretaria tem diversas ideias para um melhor aproveitamento turístico do local, como a criação de um píer e a ordenação das barracas. Ela ressaltou, entretanto, que os projetos arquitetônicos não são de competência da Setur.

Segundo Eleonora Bronzeado, a Setur já recebeu autorização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep) para restaurar um cruzeiro do século XVII que está localizado dentro de uma mata da região. Ela disse ainda que existe um projeto de reurbanização da praia da Penha, mas este é mais voltado para o Santuário de Nossa Senhora da Penha.

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