sexta, 21 de setembro de 2018
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Poluição do Rio Gramame segue prejudicando comunidade ribeirinha

Beto Pessoa / 23 de março de 2018
Foto: ASSUERO LIMA
Na semana que se comemora o Dia Mundial da Água, moradores do Vale do Gramame, localizado na Zona Sul de João Pessoa, sofrem pela poluição do rio que batiza a região. Há 40 anos, o manancial vem sofrendo com a poluição causada pelas fábricas instaladas por lá, problema agravado no início de fevereiro, quando 40 mil litros de soda cáustica da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) vazaram para o rio.

É das águas do Gramame que boa parte dos moradores tira a renda domiciliar e alimenta seus familiares, coisa que não tem acontecido nas últimas semanas, devido à situação do rio. A Mestra Doci, fundadora da Escola Viva Olho do Tempo (EVOT), ONG que presta assistência a 120 crianças da região, disse que muitas têm sofrido, pela falta de peixes, alimentos e, sobretudo, perspectiva.

“Estamos reforçando a alimentação aqui na escola, porque muitas estão sem comida em casa. Nem todo pescador foi cadastrado para receber o alimento da prefeitura, então estão passando necessidade. Os pescadores daqui dependem basicamente do que pegam no rio. Com o vazamento da soda cáustica, a água ficou contaminada, muitos peixes morreram e não foram recolhidos, então a putrefação foi alta, mais um problema para o rio”, disse.

Na avaliação da representante da EVOT, o vazamento de soda cáustica no Gramame é só mais uma das etapas do longo processo de descaso público com o rio. “O vazamento da Cagepa foi um acidente, que aconteceu um dia, mas diariamente esse rio recebe metais pesados vindo das fábricas da região. Cheguei aqui 16 anos atrás e os pescadores já sofriam e isso só tem crescido”, lembrou Mestre Doci.

As administrações públicas, na avaliação da representante da comunidade do Gramame, pouco têm feito para mudar o cenário de poluição. “A gestão pública não tem sido eficaz. Tivemos avanço nas políticas da habitação, por exemplo, se construiu casas para quem não tinha onde morar, mas desmataram tudo para isso. Não há preocupação ambiental e por isso fica difícil mudar o que aí está”, disse.

Para as crianças atendidas pela EVOT, viver como vivem seus pais tem se tornado difícil de almejar, tendo em vista as baixas expectativas de vida da região.

“As crianças estão muito tristes. Estamos realizando trabalhos para que eles possam atravessar esse momento difícil, orientando sobre seus direitos. Mas é muito difícil educá-los para que continuem aqui, porque o rio, que é o principal meio de sobrevivência, está poluído, temos que prepará-los para irem para a cidade mesmo”.

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