quinta, 21 de março de 2019
Policial
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Segundo Polícia, filho arquitetou crime que acabou com morte do pai

Katiana Ramos / 05 de junho de 2018
Foto: Divulgação
Um jovem frio que planejou uma ação criminosa sem se importar que a vida do próprio pai estaria em risco. É assim que a polícia descreve o comportamento de Herick Ramon Diniz Gomes, de 25 anos. O rapaz era filho do gerente do posto de combustíveis, Severino Maciel, assassinado dia 28 de maio, durante uma tentativa de assalto. Com uma relação tranquila com o pai, porém sem contatos recorrentes, Herick Diniz monitorou a rotina do pai no local de trabalho durante a semana que antecedeu o crime, segundo a Polícia Civil.

“O perfil dele é muito frio. É um caso que chocou não só a população, mas também os policiais, porque é um filho que era tratado bem e tinha uma boa relação com o pai e que arquitetou, planejou e tramou contra vida do próprio pai”, comentou o titular da Delegacia de Crimes contra o Patrimônio de João Pessoa, Wagner Dorta.

O delegado explicou que, em depoimento, o acusado disse que planejou o assalto porque estaria devendo R$ 1 mil a traficantes e precisava do dinheiro. Contudo, segundo a Polícia Civil, o jovem que sabia que no dia escolhido para o assalto o pai estaria no posto de combustíveis. “Ele foi quem disse aos dois comparsas que o pai estaria lá e não deu nenhuma recomendação sobre o pai. Ao planejar uma ação como essa, sabendo do temperamento do pai, que já tinha reagido a outros assaltos, ele assumiu o risco com resultado morte. É o perfil de uma pessoa fria, que não se importou”, explicou Dorta.

Em depoimento ao delegado, na manhã dessa segunda-feira (4), a esposa de Severino Maciel contou que Herick Diniz fez várias tentativas de ficar com o celular do pai logo após o crime.

“A todo tempo o interesse dele era no celular do pai. Procurou a esposa de Maciel e a todo momento pedia a senha do celular. Muito nervoso, ele estava com a história de que iria pegar uma foto no celular do pai de quando era criança e apagou várias mensagens e apagou vários contato do pai. Ele tinha feito contato com o pai e queria apagar provas”, contou o delegado.

Dívida

Em depoimento, Herick Diniz disse que se arrependeu e alegou que planejava o assalto para saldar a dívida com o tráfico de drogas. “Ele demonstrou nervosismo, disse que estava arrependido de ter passado as informações aos comparsas sobre o pai. Mas, não convenceu”, disse Wagner Dorta.

Para planejar o assalto, o acusado teria monitorado a rotina do trabalho do pai uma semana antes do crime. Segundo o delegado, até o final do ano passado Herick Diniz recebia uma pensão do pai e só aparecia no posto no dia marcado para receber o dinheiro.

No entanto, uma semana antes do crime ele apareceu no posto onde o pai trabalhava todos os dias.

Preso na Missa de 7º dia

Herick foi preso na noite do último dia 1º, na Capital, quando participava da missa de 7º dia de morte do pai. No dia seguinte, durante a audiência de custódia, foi decretada a prisão temporária dele e o rapaz foi transferido para o Presídio do Róger. O delegado Wagner Dorta informou que vai pedir a prisão preventiva do acusado.

Os outros dois envolvidos no crime, Eri Jonson da Silva e Anderson Oliveira dos Santos, de 25 anos, também estão presos. Eri Jonson foi detido pelos frentistas do posto de combustíveis onde Severino Maciel trabalhava logo após o crime. Já Anderson Oliveira foi encontrado no dia 31 de maio, no bairro Colinas do Sul, também na capital. Segundo a Polícia Civil,os dois estavam cumprindo pena, em liberdade, por roubo e tráfico.

Outro crime envolvendo família

Há pouco mais de dois anos, um crime envolvendo irmãos comoveu a Paraíba. O estudante de Medicina Veterinária Marcos Antônio Filho, de 28 anos, foi assassinado com um tiro na cabeça e a acusada de ter mandado o crime é a própria irmã, Maria Celeste de Medeiros Nascimento, em 4 de junho de 2016. A morte do jovem aconteceu durante um suposto assalta a padaria da família, onde estavam a vítima e a irmã.

As investigações policiais apontaram que Maria Celeste planejou a morte do irmão porque ele teria descoberto que ela estava vendendo imóveis e veículos pertencentes à família sem informar e repassar parte do dinheiro para o estudante ou a mãe dos dois.

Conforme o inquérito, no dia do crime, a namorada de Maria Celeste estava como responsável pelo caixa da padaria e sabia de todo o plano.

A audiência de instrução de Maria Celeste e dos demais acusados de envolvimento nesse assassinato foi realizada em 2017. Todos estão presos e aguardam o julgamento.

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