terça, 01 de dezembro de 2020

Policial
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Reféns do medo: bandidos atuam em bando na Paraíba e armados até os dentes

Fernanda Figueiredo / 10 de fevereiro de 2016
Foto: Divulgaçã
Medo, insegurança, humilhação e impotência são apenas alguns dos sentimentos enfrentados por policiais paraibanos que se revezam em destacamentos de cidades do interior que constantemente são alvo de explosões e assaltos a agências bancárias. Geralmente cada destacamento conta com apenas dois policiais de plantão, no máximo três.

Eles alegam que um dos problemas da segurança pública e da violência no Estado é a defasagem de contingente da corporação, o segundo motivo seria a falta de investimento das próprias instituições bancárias que deveriam dificultar a ação dos criminosos que já estão sendo comparados a cangaceiros modernos.

A equipe de reportagem do Jornal Correio da Paraíba percorreu algumas das 16 cidades protegidas pela 3ª Companhia do 2º Batalhão de Polícia Militar com sede em Boqueirão e conversou com alguns policiais militares que pediram para não serem identificados. Um deles, Manoel dos Santos (nome fictício), está na corporação há mais de oito anos e conta que já esteve em cinco operações contra assaltantes de bancos nas regiões do Agreste e Cariri.

“Em quatro delas eu estava nas viaturas que foram até a cidade auxiliar os companheiros que estavam encurralados. Em outra, eu estava de plantão na cidade onde os caixas foram explodidos. Em nenhuma dessas situações estivemos em vantagem, muito pelo contrário”, explicou.

Manoel ressaltou ainda que o sucesso dos assaltantes é que eles estudam a rotina das cidades onde atacam, andam em bandos de no mínimo 10 pessoas e possuem armamento pesado. “Além disso, eles não encontram resistência nem por parte dos bancos, que facilitam demais a ação por não investirem na segurança de seus prédios, nem por parte da polícia, que se encontra representada em número muito reduzido nas cidades do interior”, completou.

Sem estrutura. No município de Fagundes, o destacamento policial fica localizado em uma casa sem nenhuma identificação ou estrutura adequada. E esta não é uma situação isolada. Em Gado Bravo e Cabaceiras também acontece a mesma coisa.

“Na verdade são muitas cidades paraibanas com o mesmo problema. Falta estrutura e efetivo. Falta até cadeira, mas quando as pessoas precisam ligam para o 190”, disse Arthur Andrade (nome fictício), policial militar desde 2012.

População prejudicada

Desde o dia 29 de janeiro a população de Fagundes, no agreste paraibano, está sem acesso a serviços bancários depois que a única agência da cidade foi invadida e teve seu cofre principal explodido. Os caixas eletrônicos externos, apesar de não terem sido danificados, não estão funcionando. A única alternativa da população para realizar saques e demais transações é se dirigir até a agência do Correio, que agora se encontra diariamente superlotada e com grandes filas. “Cheguei aqui às 8h. Já quase meio dia e ainda estou na calçada, no sol, depois de ter enfrentado todo esse tempo de fila. Agora devem fechar para almoço e eu nem sei que hora vou ser atendido.

O pior é o medo. Há pouco tempo também assaltaram os correios durante o dia, teve tiro e morte, todos ainda estão assustados”, disse o agricultor Antônio Silva, morador da zona rural de Fagundes.

Cidades. atendidas pelo Comando da PM em Boqueirão

▶ Queimadas

▶ Boqueirão

▶ Aroeiras

▶ Fagundes

▶ Umbuzeiro

▶ Barra de Santana

▶ Gado Bravo

▶ Alcantil

▶ Caturité

▶ Natuba

▶ Cabaceiras

▶ Barra de São Miguel

▶ Santa Cecília

▶ Riacho do Santo Antonio

▶ 1São Dom. do Cariri

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