segunda, 25 de janeiro de 2021

Policial
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Rede Trans já registrou 10 assassinatos de travestis este ano na Paraíba

Beto Pessoa / 24 de outubro de 2017
Foto: Divulgação
Dez travestis já foram assassinadas este ano na Paraíba. Mortas a pedradas, facadas e armas de fogo, estes homicídios quase sempre têm requintes de crueldades, o que leva as entidades de defesa dos direitos humanos a suspeitar que a principal motivação destas execuções seja o ódio às pessoas LGBTs.

Por volta das 21h do último sábado, Barbara Mendes, 21 anos, foi morta a tiros na Rua Monsenhor Sabino Coelho, Centro de João Pessoa. Testemunhas ouvidas pela polícia informaram que o tiro foi disparado por um cliente, após a jovem realizar um programa.

Barbara se prostituía à noite para custear o curso de Técnico em Enfermagem, que realizava durante o dia. De acordo com Geovana Laverna da Silva, do Centro Estadual de Referência dos Direitos de LGBT e Enfrentamento a Homofobia, a vítima era usuária do espaço e nos últimos meses tentava mudar o destino que lhe fora atribuído.

“Estamos triste porque é mais uma que se vai. Barbara retificou o nome aqui no Espaço LGBT, ela sempre estava por aqui buscando informações de curso, de vagas de emprego. Ela não queria viver para sempre de prostituição, este foi o único caminho que lhe foi possível para que ela conseguisse pagar seu curso e se manter, mas logo ela sairia”, disse Geovana.

Na opinião da representante do Espaço LGBT, os crimes contra pessoas LGBTs estão cada vez mais banais, tanto na sua ocorrência como nas penalidades. “Percebemos que há muita impunidade. Muitos desses assassinos são pegos, confessam o crime e recebem penas brandas, a Justiça ‘passa a mão’ na cabeça deles, como se não fosse uma morte motivada por ódio”, avalia.

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