terça, 16 de julho de 2019
Policial
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Policial diz que cometeu erro ao matar jovem em pizzaria

Ainoã Geminiano / 14 de dezembro de 2018
Foto: Reprodução
O soldado da Polícia Militar (PM), Fernando Vieira da Costa, acusado de atirar em dois jovens na frente de uma pizzaria, no bairro do Bessa, matando um deles, se apresentou nessa quinta-feira (13) à Polícia Civil, prestou depoimento e vai responder ao processo em liberdade. Ele falou para os delegados que se confundiu, ao achar que os dois rapazes estavam assaltando o carro que fazia Uber, que na verdade estava chegando à pizzaria com colegas das vítimas, para uma confraternização. Até o final da tarde dessa quinta (13), o sobrevivente dos tiros, identificado como Rosinaldo Silva de Oliveira, continuava internado no Hospital de Trauma, com estado de saúde grave.

O soldado Fernando chegou à Delegacia de Homicídios acompanhado de seu advogado. No local, ele também já era aguardado por policiais da Corregedoria da Polícia Militar. Em depoimento, o militar contou que foi à pizzaria, onde trabalha um irmão dele, identificado por Luciano Vieira, para pegar a moto do irmão emprestado. Quando ia sair, percebeu a chegada de dois homens em uma moto, que pararam a motocicleta fechando a saída do estacionamento para veículo de duas rodas. Alegou ter desconfiado dos dois, porque eles chegaram e permaneceram no estacionamento por algum tempo e teria visto um volume na cintura de um deles.

Disse que, minutos depois, os dois caminharam em direção à rua, no momento em que encostavam um veículo com vários ocupantes. Que o garupa da moto, identificado depois Fausto Targino de Moura Júnior, encostou no lado direito do veículo e começou a pegar sacolas de dentro do carro, sem que nenhum dos passageiros desembarcasse. Logo em seguida, o piloto da moto, posteriormente identificado como José Ricardo Araújo Brito, deu a volta e ficou em pé ao lado da porta do motorista. Segundo o militar, ao ver a cena concluiu que os dois homens estavam assaltando os ocupantes do carro.

Diante a conclusão a que chegou, o soldado caminhou em direção ao carro, momento em que Fausto se virou e, em um ato que disse ter sido de reflexo, o militar atirou contra o rapaz. O tiro nas costas fez a vítima cair. Em seguida o militar correu na direção de José Ricardo, efetuando mais dois disparos e que só parou quando essa pessoa gritou dizendo que não era um assalto. Nesse momento, o motorista do carro, que fazia transporte pelo aplicativo Uber, identificado como Rosinaldo Silva de Oliveira, também estava baleado.

As duas vítimas foram socorridas para o Trauma, mas Fausto não resistiu e morreu ainda a caminho do hospital.

Temor

O soldado Fernando concluiu dizendo que, ao perceber que havia cometido um equívoco, saiu do local, temendo por sua integridade física e se apresentou ao seu comandante. Fernando Vieira é lotado no Pelotão de Choque da Polícia Militar.

Perícia vai esclarecer

Apesar de ainda estar no período de flagrante, o soldado Fernando não foi detido ao se apresentar na Delegacia de Homicídios. Segundo o delegado Hugo Helder, responsável pela investigação, a liberação do militar aconteceu porque todas as provas que a polícia precisava para esclarecer o caso já tinha sido coletadas, entre elas a arma do crime, que foi apreendida, as imagens das câmeras de segurança, os depoimentos com a confissão do acusado e a perícia no local de crime. “Não haveria elementos que justificassem uma prisão preventiva”, acrescentou o delegado.

O militar vai responder por homicídio, pela morte de Fausto Targino. Os investigadores ainda precisam esclarecer, com auxílio da perícia, se o tiro que atingiu o motorista do Uber foi o mesmo tiro que feriu Fausto, que teria transfixado e acertado a segunda vítima ou se Rosinaldo foi ferido pelos outros disparos, feitos na direção de José Ricardo. Caso se confirme essa segunda tese, o soldado pode ainda responder por uma tentativa de homicídio.

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