quinta, 22 de abril de 2021

Policial
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Polícia desarticula quadrilha de tráfico e contrabando com mercadorias

Ainoã Geminiano / 22 de maio de 2019
Foto: Assuero Lima
Uma organização criminosa foi desarticulada na noite da última segunda-feira (20) , pelas polícias Civil (PC) e Rodoviária Federal. A quadrilha, segundo a polícia, era especializada em tráfico internacional de drogas, contrabando de mercadorias e usava a Região Metropolitana de João Pessoa como centro de distribuição no Nordeste. Com cinco galpões alugados em três cidades, o bando tinha estrutura de grandes organizações criminosas e estaria utilizando trabalhadores em situação análoga a escravidão, para fazer o serviço pesado de carregamento. Sete pessoas foram presas e, até o começo da tarde dessa terça-feira (21), mais de sete mil caixas de cigarro foram contabilizadas.

A investigação sobre a quadrilha começou em duas situações diferentes. De um lado, a Polícia Civil tinha informes de pessoas suspeitas atuando em João Pessoa, mas não sabiam em que. “Nós tínhamos já nomes, supostos lugares, mas achávamos que poderia ser assaltantes de banco, porque é algo que vem acontecendo muito aqui. Não sabíamos que tipo de crime eles estavam praticando”, disse o delegado Joanes Oliveira. Do outro lado, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) tinha informes de cargas de cigarros contrabandeados, que circulavam pelas rodovias federais do Nordeste.

Há algumas semanas, a PRF apreendeu, no Ceará, uma dessas cargas, que havia saído de João Pessoa. O cruzamento das informações dessa apreensão, com as investigações da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos e Cargas (DRFVC), levou à conclusão de que se tratava da mesma quadrilha e que contrabando e tráfico era o negócio deles.

“Aprofundamos a investigação e as informações, chegando a identificar cinco galpões que o grupo estava ocupando. Três em Cabedelo, onde era armazenada a mercadoria, um em Santa Rita, que servia de alojamento dos operários e um recém-alugado no município do Conde, que ainda estava vazio”, explicou Keila Melo, superintendente substituta da PRF-PB.

Com informações suficientes, a PC e a PRF deflagraram a operação para prender os suspeitos. Em Cabedelo, foram encontrados dois dos três galpões lotados de caixas de cigarros, fabricados na Coreia e distribuídos no Paraguai, além de caixas de whisky e licor. Em um dos galpões também foram encontrados anfetamina, o que caracteriza o tráfico de droga. Em outro galpão, além de muita mercadoria estocava, havia uma carreta já carregada, pronta para viagem.

Até o início da tarde de ontem, a polícia tinha contabilizado 7.240 caixas de cigarro, cada uma avaliada em R$ 1 mil, o que dá uma avaliação de R$ 7,2 milhões, sem contar as bebidas.

Também foram encontradas centenas de caixas dos whisky Old Parr, Black Label e Red Label, além do licor Amarula.

“São bebidas com valores superior a R$ 100 cada garrafa. Todo o material foi enviado para perícia, para constatar se existe falsificação ou se são originais. Mas aparentemente se trata de mercadoria original”, disse um dos investigadores.

“Estamos apenas no início da investigação, porque o que apuramos até agora, aponta para um esquema criminoso muito grande. Ainda não dá pra dizer aonde vai dar essa investigação. O que sabemos é que o núcleo da Paraíba foi desmontado, mas ainda queremos identificar o líder principal do esquema e outras rotas”, disse Joanes Oliveira.

Até o momento, a polícia sabe que a mercadoria era distribuída no Rio Grande do Norte (RN) e no Ceará (CE). Todos os presos são cearenses ou moravam no Ceará quando entraram para o esquema.

Vinha pelo mar



A logística montada pela quadrilha, com os galpões de armazenamento localizados perto do porto e a existência de embarcações entre os bens pertencentes ao grupo, leva a polícia a crer que a mercadoria chegava a João Pessoa pelo porto de Cabedelo, vindo direto da Coreia ou do Paraguai. “Ainda não sabemos se, em algum momento do transporte ou distribuição havia participação de servidor ou funcionário de órgãos fiscalizadores ou do porto. Ainda estamos investigando como essa mercadoria era retirada dos navios”, disse Keila Melo.

Com caminhões de tamanhos variados, a mercadoria era retirada de dentro dos galpões, a porta fechada e transportada para RN e CE pelas BRs, com apoio de batedores. “Já tínhamos identificado algumas situações em que eles mandaram um carro batedor na frente, para ver se havia fiscalização na pista e, com a confirmação, desviaram os caminhões por rotas alternativas, evitando assim que a carga fosse apreendida”, acrescentou Keila Melo.

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