sábado, 08 de maio de 2021

Policial
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Paraibanos suspeitos de atacar carro-forte utilizaram armas importadas

Ainoã Geminiano / 08 de agosto de 2018
Foto: Divulgação
A cada hora, a investigação do Grupo de Operações Especiais (GOE) revela a sofisticação e a periculosidade da quadrilha que atacou o carro-forte, na manhã da segunda-feira (6), próximo à cidade de Cruz do Espírito Santo, na Paraíba. Os quatro presos já agiram em vários estados do País, portavam armamentos seminovos, a maior parte importada, incluindo um fuzil roubado do Exército da Argentina. A prisão também revelou que, ao contrário do que se imagina, a Paraíba está ‘produzindo assaltantes de banco’, ao invés de estar sendo invadida por eles. Os quatro presos são paraibanos, dizem morar nas cidades onde nasceram e estão entre os assaltantes mais perigosos do Brasil, pelo poder de fogo que ostentavam.

Antes do ataque da última segunda-feira (6), Ivaci Muniz da Silva, 34 anos, natural de Pombal e conhecido por "Galeguinho", Antônio Arcênio de Andrade Neto, 24, natural de Bom Sucesso, Vanilson Pereira de Macedo, 31, natural de Boqueirão, e Romário Gomes da Silveira, de 29, natural de Campina Grande, já tinham agido em vários estados, entre eles Paraná, Paraíba e Rio Grande do Norte. No último assalto, no estado potiguar, eles levaram R$ 4 milhões e mataram o gerente do banco que foi atacado.

Por conta dessa última ação, policiais federais do Rio Grande do Norte chegaram nessa terça-feira (7) à tarde a João Pessoa, no momento em que os quatro passavam pela audiência de custódia. Os federais souberam da prisão do bando e vieram aproveitar a sessão para entregar os mandados de prisão que haviam em aberto, contra Galeguinho e Antônio Neto. Eram quatro mandados, incluindo dois do estado do Paraná. Ao final da audiência, a Justiça converteu a prisão em preventiva e mandou os quatro para o presídio PB1, em Mangabeira.

Armamento importado

Mostrando que não tinham uma estrutura qualquer, o bando utilizava armamento de última geração. Entre os fuzis, estava um AK-47, um dos rifles mais populares do mundo, equipado com um carregador circular, com capacidade para 90 munições, calibre 7,62x39.Outros dois eram fuzis automáticos leves (FAL), calibre 7,62, de fabricação belga, entre eles o que tem o brasão do Exército Argentino, indicando ter sido desviado do paiol das forças armadas do país vizinho. O quarto rifle é um FAL de fabricação chilena, também calibre 7,62.

O bando também portava quatro pistolas calibre 9mm, sendo três de fabricação americana e uma austríaca. As quatro são de modelo 2018, segundo levantamento feito pelo GOE. "O que chama atenção é que a maior parte das munições também é importada. O que indica que esse grupo tem fácil acesso a material bélico do vindo do exterior", disse a delegada Karina Torres, responsável pelo inquérito policial. Mesmo após quase uma hora de tiroteio, gastando munição que obrigou os peritos a recolher cartuchos em baldes, no dia seguinte, a polícia ainda apreendeu quase duas mil munições, calibre 9mm e 7,62.

Presos silenciaram

Os quatro suspeitos de assalto foram presos após troca de tiros com Choque, Bope e outras guarnições da Polícia Militar, que localizaram o esconderijo do bando, em uma granja perto da cidade de Lucena, no Litoral Norte do Estado. Levados para o GOE, os presos rapidamente receberam o assessoramento de pelos menos uma dezena de advogados, que vieram de várias localidades, inclusive do Rio Grande do Norte.

Durante o depoimento, os presos ficaram em silêncio, quando foram questionados sobre os detalhes da preparação e da ação contra o carro-forte. "Um deles quis falar, mas foi logo repreendido pelo advogado a se manter calado e assim o fez", contou a delegada. Por conta disso, a polícia ainda sabe pouco sobre a origem das armas, as ligações deles com organizações criminosas, as bases de operação e demais detalhes do esquema criminoso.

Podem ser do PCC

Pela complexidade da estrutura e o histórico de crimes já levantado pela polícia, é possível que o bando preso na Região Metropolitana de João Pessoa trabalhe para a organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), originada em São Paulo, mas que já atua em todo Brasil e já expandiu suas ações para vários países sulamericanos. A delegada Karina Torres disse que ainda não é possível afirmar essa ligação, até porque os presos não falaram nada durante o depoimento.

No entanto, a responsável pela investigação vê muitas semelhanças com as atividades da facção criminosa paulista. "Essa importação de armas tão novas e atualizadas, o fuzil desviado do Exército Argentino e a própria capitalização, através de roubos a bancos e carros-fortes, são muito parecidos com as ações do PCC. Mas vamos investigar para saber se confirma ou não essa ligação", disse.

Grupo atacou veículo errado

A investigação está apenas no começo e testemunhas importantes ainda serão ouvidas pela polícia, entre elas o dono da última picape roubada, que levou a polícia até o esconderijo por conta do rastreador e representantes da transportadora de valores, que teve o carro-forte explodido. Mas há um informe de que os suspeitos pretendiam roubar R$ 7 milhões, na ação. Mas eles não atentaram para o detalhe que dois carros-fortes viajavam ao mesmo tempo, de Campina Grande para João Pessoa.

Um dos caminhões levava documentos e uma pequena quantidade de dinheiro, que não estava nas gavetas principais. Esse veículo ainda iria fazer o recolhimento de dinheiro em bancos de João Pessoa, para retornar a Campina Grande, onde fica a base operacional da empresa. Cerca de 10 minutos atrás, viajava outro carro-forte da mesma empresa, este sim, lotado de dinheiro. Os assaltantes abordaram o primeiro que passou, talvez por não saber que passaria outro caminhão. Assim, nem mesmo o pouco dinheiro que havia no carro atacado foi levado, porque a explosão ativou um mecanismo de segurança em um compartimento secreto.

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