quinta, 26 de novembro de 2020

Policial
Compartilhar:

Armadas e perigosas: paraibanas herdam negócios criminosos dos maridos

Fernanda Figueirêdo/Julio Silva / 24 de fevereiro de 2016
Foto: Arquivo
Armadas e perigosas, paraibanas assumem os negócios criminosos de seus companheiros quando eles são presos. O último caso registrado pela polícia foi o da jovem Simone Luana Claudino Santos, 19 anos, acusada de manter uma boca de fumo, no município de Pocinhos, no Agreste paraibano. Ela era conhecida como a ‘dama do tráfico’.

Luana foi presa no antigo terminal rodoviário de Campina Grande com 6kg de maconha e meio quilo de crack. Além disso, em sua residência, a polícia apreendeu armas de fogos, dezenas de comprovantes de depósitos bancários e agendas de contabilidade do tráfico.

Segundo o delegado Cristiano Santana, as mulheres são muito mais organizadas.

“Em seis meses, esta é a terceira prisão que faço de mulheres que assumem o esquema criminoso mantido por seus companheiros, quando eles são presos. Ela tinha a lista de clientes, tudo anotado. Já indiciamos e ouvimos alguns deles. Esta é uma tendência do crime em todo o país”, disse.

Segundo o policial, a polícia ainda está investigando quem era o fornecedor da droga.

Luana foi encaminhada ao Presídio Feminino de Campina Grande, onde ficará à disposição da Justiça. Ela é mãe de dois filhos e disse estar grávida de 3 meses, embora a polícia não tenha confirmado a informação. O companheiro dela, Cassiano Galdino Oliveira,cumpre pena por tráfico, no Presídio Serrotão.

De acordo com o secretário-executivo de Administração Penitenciária da Paraíba, Major Sérgio Fonseca, a maioria da população carcerária feminina ainda é proveniente do tráfico. “Sabemos que é uma tendência, a maioria das mulheres que se envolvem com o crime vão para o tráfico”, disse.

Por opção ou sob ameaça

A juíza de entorpecentes Maria Aparecida Gadelha afirma que os homens ainda predominam no tráfico, mas tem visto o envolvimento delas aumentar. “O número de mulheres no tráfico tem crescido, inclusive casos de mulheres que tentam levar droga aos companheiros nos presídios. Elas alegam sempre que são forçadas a traficar, se envolvem através do marido ou pessoa da família. A opção de sair sempre existe, mas essa é a alegação delas, que elas são ameaçadas, que tem a necessidade de sustentar filhos”.

Segundo ela, é preciso dar um suporte às mulheres ameaçadas. O Poder Executivo dispõe de medidas que protegem, como serviço de proteção para mulheres que sofrem violência doméstica, seria bom ter uma divulgação maior”, explicou.

Relacionadas