quarta, 03 de março de 2021

Policial
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Paraíba registrou 167 casos de tráfico de pessoas em 6 anos

Aline Martins / 01 de agosto de 2017
Foto: Divulgação
O tráfico de seres humanos é o terceiro tipo de crime mais lucrativo no mundo, ficando atrás de drogas e de armas, respectivamente. A afirmação é da coordenadora do Comitê Estadual de Enfrentamento ao Tráfico e Desaparecimento de Pessoas da Paraíba (CETDP/PB), Vanessa Lima, que citou as informações da Organização das Nações Unidas (ONU). Na Paraíba, o Disque Denúncia Estadual (123) e o relatório dos Centros de Referência Especializados em Assistência Social (Creas) registraram entre 2011 e 2017, 167 casos de tráfico de pessoas. No entanto, esses números, de acordo com Vanessa Lima, podem ser maiores, pois muitos casos são subnotificados. Além disso, estima-se há 69 rotas de tráfico no Nordeste, tendo como referência mulheres, travestis e trabalho escravo. Comente no fim da matéria.

e dos relatórios dos Creas. Um dos casos conhecidos é de travestis da cidade de Araçagi que foram levados para serem explorados sexualmente na Itália. No entanto, ainda falta informação de como reconhecer a prática desse crime. Da sexta-feira até ontem foram realizadas algumas ações visando conscientizar a população e capacitar instituições e profissionais para reconhecerem esse crime. “Falta informação sobre o crime de tráfico de seres humanos”, frisou a coordenadora do (CETDP/PB).

Dentre os participantes de um seminário estiveram professores, ONGs de Direitos Humanos, Conselhos Regionais de Psicologia e Assistência Social, advogados, Creas. “A Paraíba é um estado emissor. As pessoas são aliciadas para fora”, comentou. Segundo Vanessa Lima, os paraibanos são aliciados geralmente para a exploração sexual para fora do País. Já para dentro do Brasil são aliciamentos para trabalhados escravos. “Eles são aliciados para o campo e acabam trabalhando em condições análogas a escravo como mostra a Organização Internacional do Trabalho (OIT)”, afirmou, destacando que já oficializou pedidos de denúncias a diversos órgãos no Estado como Tribunal de Justiça, Ministérios Público Estadual e Federal, Justiça Federal para obter números mais exatos do tráfico de seres humanos na Paraíba. No último domingo, Dia Mundial contra o Tráfico de Seres Humanos, foi realizado o primeiro seminário estadual sobre o tema.

PB é ‘pólo’. Para finalizar o debate sobre o tráfico de seres humanos, uma sessão foi realizada na manhã de ontem, na Câmara Municipal de Vereadores de João Pessoa. O deputado federal Luís Couto informou que a Paraíba aparece como referência no tráfico de mulheres (crianças, jovens, adolescentes e adultas), de travestis para a Itália e Espanha (principalmente da região do Brejo) e de trabalho escravo (dentro do Brasil). Como prática de trabalho escravo no Brasil exemplificou a existência do trabalho servil (como o doméstico), da doação involuntária de órgãos para transplante, do tráfico de recém-nascidos (na década de 80, mais de mil crianças brasileiras foram vítimas desta prática), o turismo sexual, a exploração sexual, o tráfico de drogas e o de munições como uma realidade que deve ser melhor enfrentada.

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