segunda, 20 de maio de 2019
Policial
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Operação Xeque-mate completa um ano nesta segunda

Adriana Rodrigues / 03 de abril de 2019
Foto: Arquivo
A operação Xeque-mate, que mudou a composição administrativa e política do município de Cabedelo, completa nesta quarta-feira (3) um ano de sua deflagração, com vários desdobramentos, dentre eles a prisão do ex-prefeito de Cabedelo, Leto Viana (PRP), que renunciou ao mandato em 16 de outubro, e outras 11 pessoas, que permanecem presas de forma cautelar para não atrapalhar o andamento das investigações que seguem. Outro desdobramento foi à realização de eleição suplementar município, no último dia 17 de março, para escolha do novo prefeito e vice-prefeito para um mandato tampão até 31 de dezembro de 2020.

Deflagrada em 3 de abril, em uma ação conjunta do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e pela Polícia Federal (PF), em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU), a operação desarticulou um esquema de corrupção na Prefeitura e na Câmara Municipal de Cabedelo, que causou mais de R$ 20 milhões de prejuízos à população cabedelense e que já se desdobrou em três fases investigativas, com outras ainda em andamento.

De acordo com o promotor Octávio Paulo Neto, coordenador Gaeco, a Xeque-mate foi uma das ações conjuntas mais bem executadas e que revela que os órgãos do Estado devem se irmanar para combater todas as manifestações das organizações criminosas. “A parceria do Gaeco com o MPF, PF, CGU e TCU na Paraíba tem mudado a cara do combate a corrupção. Tem permitido alcançar coisa que não estavam no nosso radar”, comentou.

Segundo Octávio Paulo Neto, a Paraíba serve de emplo de que ações integradas podem de fato mudar as visões sobre o que o Estado deve fazer. “Além disso, o Judiciário paraibano tem mostrado uma coragem moral digna de sua responsabilidade. Os juízes paraibanos têm dignificado o combate a corrupção e ao crime organizado, pois exigem a dureza da lei dentro de limites éticos. E o Judiciário vem se portando dignamente”, declarou o coordenador do Gaeco.

Quando da deflagração foram cumpridos 11 mandados de prisões preventivas, 15 sequestros de imóveis e 36 de busca e apreensão expedidos pelo Tribunal de Justiça da Paraíba. Além dos mandados, a justiça decretou o afastamento cautelar do cargo de 85 servidores públicos, entre eles o prefeito, vice-prefeito e o presidente da Câmara Municipal de Cabedelo, na época.

Durante as investigações, ficou comprovado a participação das principais autoridades públicas do município de Cabedelo que se beneficiavam do esquema de diversas formas, tendo registrado aumento patrimonial espantoso, muito acima do condizente com sua renda. Somente na aquisição de imóveis nos últimos cinco anos, verificou-se que um agente político envolvido movimentou mais de R$ 10 milhões à margem do sistema financeiro oficial.

Eleição

Até agora Cabedelo espera a posse do prefeito eleito para mandato tampão.

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