sexta, 19 de abril de 2019
Policial
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Operação Fantoche pode ter segunda etapa

Katiana Ramos e Amanda Gabriel / 21 de fevereiro de 2019
Foto: Antonio Ronaldo
A Polícia Federal (PF) deu continuidade às investigações da Operação Fantoche com buscas em mais de 40 locais do País, o que resultou na apreensão de veículos, documentos, como notas fiscais, discos rígidos, pen drivers e até quantias em moeda estrangeira (euro e dólar). Por meio da assessoria de comunicação, a PF informou que houve apreensão também na Paraíba, porém o local e o material encontrado não foi divulgado.

O material apreendido será periciado e, conforme o que for encontrado, poderá atestar a participação das pessoas já identificadas como ainda de outros envolvidos. Por conta disto, a PF informou que com a análise de todo o material apreendido novos fatos podem surgir como novos envolvidos ou outras empresas suspeitas, no que seria necessária a deflagração de uma nova fase da operação com o objetivo de cumprir novas ordens judiciais.

As investigações da Operação Fantoche revelaram, segundo a PF, que a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep) era uma das entidades responsáveis por celebrar contratos fraudulentos com ONGs fantasmas criadas por um grupo empresarial de Pernambuco, mas que executava projetos em vários Estados.

De acordo com a PF, o esquema acontecia a partir da descentralização de recursos pela Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e distribuição entre entidades ligadas a ela, como por exemplo a Fiep. Conforme previamente estabelecido, estas entidades ficavam responsáveis por firmar os contratos.

Presos. Entre as dez pessoas presas na última terça-feira pela PF estava o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep-PB), Francisco de Assis Benevides Gadelha (Buega). Ele e outras cinco pessoas do grupo foram soltos ainda no mesmo dia por decisão de Justiça Federal de Pernambuco.

De acordo com a assessoria de comunicação da Superintendência da PF em Pernambuco, os presos liberados tinham idades avançadas e estavam passando por problemas de saúde e sob medicação – em razão disso, a Autoridade Policial do caso foi consultada e achou viável a soltura desde que eles não voltassem a exercer as suas funções e não houvesse comunicação entre os investigados. A empresária e publicitária Lina Rosa Gomes da Silva Vieira, ligada à Aliança Comunicação, foi liberada por ter um filho menor e a Justiça seguiu às orientações da súmula do STF para esses casos específicos.

Grupo atuava desde 2002



A Operação Fantoche investiga um grupo de empresas controlado por uma mesma família que vinha atuando desde 2002, executando contratos através de convênios com o Ministério do Turismo e de entidades do Sistema S.

Segundo a PF, o grupo investigado teria criado empresas sem fins lucrativos para justificar os convênios com verbas pública, a maior parte delas utilizadas para pagar eventos culturais e publicitários. Para gerar lucro aos investigados, os contratos eram superfaturados ou não eram completamente concluídos. Em seguida os recursos eram desviados para os empresários, por meio de empresas de fachada, conforme apurou a PF.

No total 213 policiais federais e oito auditores do Tribunal de Contas da União (TCU), órgão que também participa da investigação, seguiram para cumprir os mandados de prisão e de busca, nos estados de Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Alagoas e Paraíba.

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