sexta, 05 de março de 2021

Policial
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Operação contra fraudes em concursos pede bloqueio de contas

Ainoã Geminiano (Correio da Paraíba) / 10 de junho de 2017
A Polícia Civil encerrou a terceira fase da Operação Gabarito, etapa destinada à análise das provas e documentos apreendidos, pedindo à Justiça o bloqueio das contas bancários de 50 suspeitos indiciados. A operação investiga a ação de uma quadrilha especializada em fraudar concursos públicos, radicada em João Pessoa e os clientes que compraram gabaritos de provas. O balanço divulgado ontem mostra que 61 pessoas já foram indiciadas, 31 foram presas e os rendimentos obtidos pelo bando com a fraude foi de R$ 21 milhões, em 73 concursos. O lucro da quadrilha pode passar de R$ 100 milhões.

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De acordo com o relatório da Delegacia de Defraudações e Falsificações de João Pessoa (DDF-JP), foram feitos 296 pedidos à Justiça, incluindo representações por prisões, busca e apreensão e o bloqueio das contas dos suspeitos. “Ainda não sabemos quanto existe de dinheiro nessas contas, porque só a Justiça pode ter acesso. Uma das ideias do bloqueio das contas é impedir que a organização criminosa continue agindo, uma vez que já temos comprovado um esquema de lavagem de dinheiro, através da construção civil, em obras realizadas na Paraíba, em Pernambuco e em Alagoas. Outro objetivo é ressarcir as instituições que realizaram os concursos e foram vítimas da quadrilha”, explicou o delegado Lucas Sá.

A terceira fase terminou com o envio do relatório enviado à Justiça, apontando 90 pessoas identificadas com envolvimento com a organização criminosa, várias delas ainda para serem presas. Entre os suspeitos que já foram presos estão três policiais e um agente penitenciário. Segundo Lucas Sá, há outros policiais envolvidos com o bando, que ainda estão em liberdade. O delegado não deu detalhes sobre essas pessoas.

Deflagrada em abril

A Operação Gabarito foi deflagrada no dia 7 de abril, após três meses de investigação, feita pela DDF-JP. De acordo com a polícia, a quadrilha, liderada pelos irmãos Flávio Nascimento Borges, de 34 anos, e Vicente Fabrício Borges, de 32, além do policial rodoviário Marcos Vinícius, divulgava a fraude em cursinhos preparatórios e em redes sociais, oferecendo as respostas das provas dos concursos, por valores que variavam entre R$ 50 mil e R$ 150 mil, para grupos de no mínimo 10 candidatos interessados. Uma vez formados os grupos, os líderes contatavam professores para responder as provas e passava as respostas para o escritório da quadrilha. De lá, as respostas eram enviadas para os candidatos, por meio de pontos eletrônicos de última geração.

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