quarta, 02 de dezembro de 2020

Policial
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Novo golpe aplicado por estelionatário é investigado na PB; veja como age o acusado

Ainoã Geminiano / 15 de fevereiro de 2016
Foto: Ilustração
A polícia está investigando a ação de um estelionatário que agiu na cidade de Santa Luzia, no Seridó paraibano, tomou o carro de um morador e tentou fazer outras vítimas na cidade. O suspeito já tem mandados de prisão em vários estados e pode ter tomado dezenas de veículos, usando a estratégia de ganhar a confiança das vítimas e pedir para alugar o carro por alguns dias, para supostas situações emergenciais. O carro tomado pelo bandido foi revendido em Campina Grande, como sendo de origem lítica e acabou apreendido em uma blitz. O dono, o operador de máquinas Gilvan Medeiros da Costa, diz que está tendo dificuldade para reaver o bem.

De acordo com a polícia, o estelionatário usa nomes e documentos falsos, estratégia que dificulta sua localização e prisão. Em Santa Luzia, se apresentou aos moradores da cidade com o nome de "Dyuliu Cesar dos Reis", dizendo que era funcionário da Petrobrás e apresentando um suposto crachá da estatal. "Ele passou uns dias na cidade para ganhar a confiança das pessoas. Se pegava um táxi e a conta dava 15 reais ele pagava 20. Dizia ter dinheiro e que estava viajando a negócios. Não tinha como desconfiar dele", contou Gilvan Medeiros.

No dia 14 de dezembro, ele abordou Gilvan dizendo que sua família estava indo para Santa Luzia e, ao passar em Campina Grande, a caminhonete em que viajava quebrou. "Disse que precisava de um carro para pegar a família e pediu para alugar o meu por três dias. Eu concordei e ele sumiu", disse Gilvan. O operador também relatou ter encontrado dificuldade para incluir a notificação do roubo no registro do veículo, o que só teria acontecido seis dias depois. O golpe foi investigado pela delegacia de Santa Luzia, que já remeteu o inquérito para a Justiça, sem localização do estelionatário.

No dia 9 de janeiro, já com restrição de roubo, o veículo foi apreendido em uma blitz, em poder de um homem, morador de Campina, que disse ter comprado o carro de boa fé, pelo valor de R$ 10 mil. O delegado Cláudio Manoel, da 7ª Delegacia Distrital, instaurou um inquérito para investigar o crime de receptação de roubo. O caso será remetido na próxima semana para a Justiça.

Demora para entrega do carro

Além de ser vítima do golpe e perder o carro, Gilvan Medeiros também está reclamando da demora para reaver o bem, que está apreendido na Central de Polícia de Campina Grande. "Estou gastando dinheiro com advogado para pegar um carro que é meu, só porque eu ainda não tinha transferido para o meu nome, quando fui vítima do golpe", disse. O delegado Cláudio disse que não é possível fazer liberação de um bem, sem um documento que comprove a propriedade. "Ele me apresentou um recibo em nome de uma mulher e disse que o carro era dele. O outro que comprou do estelionatário também diz que o carro é dele. A Justiça é quem vai decidir quem levará o veículo", afirmou.

Como funciona o sistema de inclusão de notificação de roubo

Para o delegado Nélio Carneiro, titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos de João Pessoa, única do Estado que funciona 24 horas, todos os dias, a demora na inclusão da restrição de roubo no registro do carro de Gilvan ocorreu por conta de uma falha humana. "Como somos a única delegacia do Estado que não fecha, as demais delegacias devem enviar email ou faz, assim que receber a ocorrência. Temos sempre um funcionário que a cada 15 minutos atualiza o sistema. Se esse registro demorou é porque alguém esqueceu de nos comunicar e isso só foi feito seis dias depois", explicou.

Segundo o delegado, a restrição de roubo ou furto é incluída no Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam) e só quem pode fazer essa inclusão é a Delegacia de Roubos e Furtos de Veículos. Nem mesmo órgãos ligados ao trânsito como o Dentran e a Polícia Rodoviária Federal podem fazê-la. "Quando o veículo é recuperado, cabe à polícia localizar o proprietário, através de um número de telefone que obrigatoriamente precisa estar na ficha de ocorrência. O sistema não avisa que o bem foi recuperado", acrescentou.

Fraudes relacionadas a veículos em João Pessoa

2014 - 45 golpes

2015 - 53 golpes



  • 10 pessoas presas em 2015, na Capital, por esse tipo de fraude




 Modalidades mais usadas pelos bandidos para tomar carros

- Falsa operação de compra e venda pela internet

- Venda em lojas de veículos tomados em fraudes

- Golpe do falso depósito bancário

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