sábado, 08 de maio de 2021

Policial
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No bairro do Valentina, moradores e comerciantes relatam assaltos constantes

Aline Martins / 01 de agosto de 2018
Foto: Assuero Lima
Enquanto a Polícia Militar repassa que os índices gerais de criminalidade diminuíram no bairro do Valentina Figueiredo, em João Pessoa, nas ruas a sensação relatada pelos moradores é bem diferente. Quem precisa caminhar até a uma parada de ônibus ou é proprietário de um ponto comercial vive diariamente com medo dos assaltantes.

Por conta disso, muitos mudaram o hábito como forma de prevenção. Se nas vias principais onde o fluxo de pessoas e de veículos é maior os criminosos agem, nas ruas paralelas ou mais afastadas é ‘prato cheio’ para os assaltantes. Diversos estabelecimentos comerciais são gradeados ou contam com circuito de câmeras. Já a população geral tem evitado determinadas vias, saídas noturnas e fechado as portas mais cedo.

Na semana passada, dois homens se passaram por passageiros ao pegar um táxi. Durante a viagem, tomaram o carro do taxista e o abandonaram em um via distante. Com medo, o motorista preferiu não falar sobre o assunto. Para quem trabalha com o público, a situação é bastante complicada. Um dos taxistas, João Rodrigues, contou que só trabalha porque precisa. “Têm dias que a gente não faz uma viagem com medo de assalto”, revelou.

Para os comerciantes da Rua Inspetora Emília de Mendonça Gomes, a solução foi cercar os estabelecimentos como contou uma comerciante que preferiu não se identificar. “Uma das coisas que os comerciantes estão tomando é gradear os comércios porque a violência está muito grande. Eu nunca fui vítima, mas há vários comerciantes que já foram diversas vezes. Os assaltos acontecem a qualquer hora. Eu trabalho com comércio de bebidas e poderia fechar mais tarde, mas não faço isso por medo”, revelou.

Na Rua Carlos Neves Franca, os moradores tinham o hábito de sentar nas portas das residências, hoje poucas pessoas ousam como a aposentada Marlene da Silva a fazer isso. “Todo mundo fala que eu não deveria sentar porque é muito perigoso, mas eu gosto de olhar a rua. Todo dia praticamente acontecem assaltos”, comentou.

Na Rua Comerciante Manoel Laurindo, outra moradora, que preferiu não se identificar, relatou a difícil situação do bairro. “É assalto quase todos os dias. A minha rua é um palco de assaltos a qualquer hora porque é uma rua que liga uma principal a outra. Passam os estudantes e trabalhadores, mas também muitas pessoas que só querem bagunçar nas ruas”, contou.

 

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