terça, 24 de abril de 2018
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Na homenagem aos finados, sentimento de perda se mistura ao abandono dos jazigos

Aline Martins/Giovannia Brito / 03 de novembro de 2015
Foto: Nalva Figueiredo
“É um dia cruciante para todas nós mães. Parece que tivemos uma parte nossa amputada”, lamentou Evanice Barbosa, que perdeu filha e neto no dia das Mães de 2010 em um acidente automobilístico na cidade de Areia, no Brejo paraibano. Assim como ela que visitou ontem um dos cemitérios de João Pessoa, outras mães que perderam os seus filhos para a violência, lembraram que é um dia de saudades e lembranças. A Diretoria de Administração dos Cemitérios públicos de João Pessoa estimou que 110 mil. Em um deles, a reportagem do Jornal Correio da Paraíba flagrou ossadas expostas em túmulos verticais.

No cemitério particular Parque das Acácias, no José Américo, mães que perderam seus filhos por conta da violência destacaram que, por mais que o tempo passe, a ausência física “roubada” brutalmente dos seios familiares, a saudade sempre será imensa. Evanice Barbosa perdeu filha e neto em um acidente de carro em maio de 2010, Hipernestre Carneiro, a filha Aryane Thaís após ter sido assassinada e o corpo abandonado em uma rodovia federal da Capital, e Gláucia Belmont o filho Everton, assassinado há cinco anos. Dores que se assemelham e, que dividem com outras mães do Grupo Mães na Dor.

Já no maior cemitério público da Capital, o Senhor da Boa Sentença, no Varadouro, a visitação foi intensa logo nas primeiras horas de ontem. Foram celebradas cinco missas conforme programação da Arquidiocese da Paraíba.

Na missa celebrada pelo arcebispo Dom Aldo Pagotto, às 9h, o religioso destacou que a importância de buscar conforto nas palavras divinas.

“Estamos aqui para celebrar a vida daqueles que partiram dessa vida para a eternidade. Nós veneramos a vida pela que Deus nos concedeu e lembrar o que Jesus nos disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida”, disse o arcebispo.

Dezoito anos se passaram, mas para a empresária Maria Aparecida Ângelo Mangabeira, que visitou ontem o túmulo de um filho que morreu em um acidente quando tinha 19 anos de idade, parece que foi ontem. “Ele tinha ido ao shopping e quando voltava para casa na hora que eu tinha pedido para ele voltar aconteceu um acidente. Um carro entrou na contramão e atingiu ele. Ele era uma pessoa muito obediente. Tão obediente que, por chegar na hora, foi vítima desse acidente”, lembrou.

Leia mais no Jornal Correio da Paraíba.

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