sábado, 19 de junho de 2021

Policial
Compartilhar:

Morte de taxista foi ‘homicídio fútil e sem chance de defesa’, diz delegado

Katiana Ramos / 19 de fevereiro de 2019
Foto: Reprodução
“Um homicídio fútil e com impossibilidade de defesa da vítima”. A afirmação é do delegado Hugo Helder sobre o modo como agiu o corretor de imóveis Gustavo Teixeira Correa, acusado de atirar contra o taxista Paulo Damião dos Santos, de 42 anos, na última sexta-feira. A perícia feita na vítima revelou que o taxista foi morto com seis disparos de arma de fogo, sendo que dois dos tiros transpassaram o corpo. A arma utilizada no crime, possivelmente um revólver de calibre 38, ainda não foi encontrada.

De acordo com o delegado, Gustavo Teixeira manteve-se em silêncio durante a audiência de custódia, tanto com relação ao paradeiro da arma, sobre a qual ele tinha posse, quanto sobre a autoria do crime. Contudo, o homem que conduzia o carro de onde ele saiu para atirar contra o motorista afirmou que, embora conhecesse o acusado, estava prestando serviço como motorista de aplicativo. O homem relatou ainda que em nenhum momento houve discussão entre o corretor e a vítima.

“O rapaz se propôs a nos ajudar desde o início e ele não relatou, em nenhum momento, que houve discussão anterior (entre o taxista e o corretor) ou no momento do fato. Ele disse que o taxista fez apenas um gesto”, explicou o delegado Hugo Helder. Ele revelou ainda que a Polícia Civil conseguiu imagens de câmeras de vigilância de ruas próximas onde aconteceu o homicídio, momentos antes do crime, e o veículo do taxista não se encontra em nenhum momento com o veículo onde estava Gustavo Teixeira. “As imagens são claras. Não existe uma briga, sequer uma discussão. O taxista sequer abriu o vidro. Então vamos continuar fazendo diligências, mas já temos elementos suficientes para concluir o relatório”, disse Hugo Helder.

Já sobre o paradeiro da arma utilizada no crime, o delegado acredita que o acusado pode ter se desfeito do objeto antes mesmo de chegar em casa, que fica a cerca de 50 metros do local onde o fato ocorreu. “Foi feita uma busca minuciosa dentro da residência dele e também nas ruas e terrenos próximos. Ele foi cauteloso em se desfazer dessa arma. Ele se desfez com o propósito de não ficar comprovado o crime. Mas, temos outras provas”, concluiu o delegado Hugo Helder.

Relembre



O taxista Paulo Damião dos Santos, de 42 anos, foi assassinado em um estacionamento próximo a um supermercado, no Bessa, na Capital, no final da tarde da última sexta-feira. Ele foi atingido por seis disparos de arma de fogo. Ele ainda foi levado para o Hospital de Emergência e Trauma, mas não resistiu aos ferimentos. Já o acusado do crime, o corretor Gustavo Teixeira, fugiu para casa onde mora, próximo ao local do crime, e após quase cinco horas se entregou a Polícia.

Registro de corretor suspenso



Gustavo Teixeira Correa trabalha como corretor. Contudo, diante da acusação do assassinato do motorista, o Conselho Regional de Corretores de Imóveis da Paraíba (Creci-PB) suspendeu a inscrição dele e ainda instaurou, ontem, processo administrativo disciplinar ético contra ele.

“O processo, que será concluído em um prazo de 90 dias, contados a partir desta segunda-feira, foi instaurado com fundamento na Legislação que regulamenta a nossa profissão e será julgado pela Comissão de Ética e Fiscalização Profissional (Cefisp) e Turma de Julgamento, que ao final - disponibilizado o princípio universal da ampla defesa e do contraditório - decidirá pela aplicação de sanção que pode ir de uma advertência ao cancelamento da inscrição junto ao Creci-PB”, afirmou o presidente do Conselho, Rômulo Soares.

Segundo ele, nesse período, o registro profissional de Gustavo permanecerá temporariamente suspenso. Rômulo Soares destacou que a decisão se deu também diante da grande repercussão e comoção popular decorrentes do fato e lembrou que o corretor de imóveis responde por seus atos não só quando do exercício da profissão, mas também fora dele, sobretudo em relação àqueles que denigram a imagem da categoria junto à sociedade, através de condutas que infrinjam a ética e legalidade.

Preso no 5º BPM



Gustavo Teixeira permanece detido no 5º Batalhão da Polícia Militar, no bairro do Valentina Figueiredo, por determinação judicial. Segundo a defesa dele, o corretor possui graduação em Gestão Hospitalar. No entanto, ainda ontem, o Sindicato dos Taxistas de João Pessoa informou que vai ingressar na Justiça para que o corretor seja transferido para um dos presídios da Capital. Os advogados da categoria alegam que Gustavo Teixeira não apresentou o diploma de Ensino Superior, mas uma declaração informando a conclusão do curso no final do ano passado. Gustavo Teixeira entregou-se a polícia na noite da última sexta-feira, mesmo dia da morte do taxista. KR

 

Relacionadas