sábado, 16 de novembro de 2019
Policial
Compartilhar:

Libertos e fraudando contratos de TV a cabo de novo

Lucilene Meireles / 22 de agosto de 2016
Foto: Assuero Lima/Arquivo
Dois homens foram presos em flagrante, nesse final de semana, pela Polícia Civil, acusados de fraude na contratação de serviços de TV a cabo, em João Pessoa. Este foi o segundo caso registrado pela Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF) da Capital este mês. A denúncia foi feita na noite de sexta-feira e, em menos de 24 horas, os suspeitos foram identificados. A DDF confirmou que se tratava dos mesmos suspeitos que haviam sido presos no dia 30 de junho, que aguardavam o processo em liberdade, após audiência de custódia.

Os suspeitos foram autuados em flagrante pelos crimes de falsidade ideológica e associação criminosa e permanecerão na carceragem da central de polícia aguardando apresentação à audiência de custódia. As investigações continuam no sentido de descobrir possíveis outras pessoas envolvidas ou beneficiadas com a conduta criminosa.

O delegado Lucas Sá, da DDF, avisou que, além dos criminosos, todos os envolvidos, inclusive clientes que solicitaram e concordaram com a instalação de equipamentos em nome de terceiros, estão passíveis de prisão, respondendo criminalmente pelas mesmas condutas: falsidade ideológica, associação criminosa, podendo ser condenados a até oito anos de reclusão. A DDF pede que denúncias sejam repassadas à Polícia Civil através do número 197. O sigilo é garantido.

Os presos e a fraude

Os presos no sábado foram Renato Ferreira Alves da Silva, 26, e João Bruno Farias Soares, 32, em virtude de contrato de TV a cabo firmado de maneira fraudulenta, em nome de terceira pessoa, conforme o delegado Lucas Sá. “As contratações fraudulentas só foram descobertas após o nome da vítima ser incluído no Serasa, passando a receber diversos telefonemas de cobranças, por atraso em faturas da empresa de TV a cabo. A vítima compareceu à empresa surpreendendo-se com a contratação realizada e descobrindo o endereço das faturas em atraso”, relatou.

Em seguida, conforme Lucas Sá, a vítima foi até o endereço contratado, sendo atendida pelo próprio beneficiário, proprietário da residência, que não apenas confirmou a contratação fraudulenta, mas passou informações à vítima sobre a atuação dos outros suspeitos, chegando a informar que seria ‘primo’ do titular da conta contratada, ou seja, informou ser primo da pessoa em nome da qual a contratação foi firmada. “A vítima, então, percebendo que a fraude estava em plena execução, procurou a DDF para formalizar a denúncia e para que fossem tomadas as medidas cabíveis”, acrescentou.

A empresa que realizava as fraudes

A empresa Vip Net é administrada pelos empresários Amanda de Sousa Alves, 25, Renato Alves Ferreira da Silva e João Bruno Farias Soares, que haviam sido presos em 30 de junho pelo mesmo crime. Na ocasião, a DDF descobriu que os suspeitos atuavam negociando pacotes de internet/telefonia/tv a cabo a clientes que possuíam restrições no comércio (SPC/Serasa) e a clientes que não queriam contratar os serviços em seu nome, propondo a estes clientes que utilizassem nomes de terceiras pessoas, de uma relação constante em um site acessado pela empresa (catta.com.br), que tem informações pessoais de pessoas que possuem linhas telefônicas fixas ou móveis ou contração com empresas de TV a cabo.

A DDF estima que milhares de contratos tenham sido realizados pela empresa, utilizando-se de cadastros constantes no referido site, durante os três anos de atividade. Centenas de contratos foram apreendidos em junho.

A negociação era então concluída em nome de uma terceira pessoa, sem o seu conhecimento, os serviços instalados na residência do cliente contratante e a empresa era beneficiada, cumprindo suas metas de contratações estabelecidas pela empresa de telefonia e recebendo seus pagamentos e comissões regularmente.

“Para que os serviços fossem concluídos e liberados, a empresa Vip Net inseria nos contratos telefones de contato próprios da empresa, determinando aos seus funcionários – cerca de quatro vendedores – que atendessem todas as ligações, identificando-se em nome do cliente constante na contratação, ou orientando os clientes a confirmarem os dados utilizados na contratação – como no presente caso, no qual o cliente Herbert confirmou os dados da vítima, utilizados nas contratações fraudulentas”.

 

Relacionadas