domingo, 15 de julho de 2018
Policial
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Levantamento mostra que revólver é a arma mais usada em crimes na Paraíba

Nice Almeida / 12 de junho de 2018
Foto: Reprodução
Dia 22 de maio. O sargento da Polícia Militar Lucimário Ferreira é encontrado morto, com marcas de tiros no corpo às margens da PB-032, que dá acesso às cidades de Pedras de Fogo e Alhandra. Dia 26 de maio. Severino Maciel, gerente de um posto de combustíveis em João Pessoa, é morto a tiros ao reagir a um assalto planejado, segundo investigação da Polícia Civil, pelo próprio filho. Dia 11 de junho. O sargento Francisco Marinho, da Polícia Militar, é assassinado a tiros quando chegava em casa, no município de Queimadas.

O que os três crimes têm em comum? Em todos os casos, a arma usada foi um revólver ou pistola, de cano curto. É essa a arma do crime na Paraíba. De acordo com pesquisa inédita “De onde vêm as armas do crime apreendidas no Nordeste?” produzida pelo Instituto Sou da Paz, a maioria das armas usadas para prática de crimes no estado é de cano curto, calibre comum e brasileira. Os números foram obtidos a via Lei de Acesso à Informação junto à Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social.

No período avaliado foram apreendidas 2.224 armas de cano curto, sendo 1.915 revólveres e 309 pistolas, o que representa 57,2% do todo de apreensões. A polícia também conseguiu tirar das mãos dos bandidos 1.509 espingardas e 154 outros tipos de armas, conforme o estudo. Os dados são relativos ao ano de 2015 e são parciais.

O estudo apontou, ainda, que há uma representatividade importante das armas artesanais que chegam a somar quase 19% do total de apreensões na Paraíba. Das 404 verificadas na contagem, 381 eram espingardas, 20 eram garruchas e o restante de espécies residuais. Significa que foi verificada uma proporção considerável de quase um quinto das armas apreendidas com fabricação artesanal, sendo a maioria delas espingardas.

Falta transparência

O perfil foi traçado pelo Instituto Sou da Paz com dificuldades, já que a Paraíba enviou dados parciais. Durante a análise foi notado, por exemplo, uma discrepância entre o total de armas apreendidas no estado e o anteriormente informado ao Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança (1.175 armas).

O Instituto disse que solicitou esclarecimentos e mais detalhes, “diante do qual nos foi respondido com a confirmação de que este é o dado oficial de todas as armas apreendidas e com o detalhamento de espécie, calibre e marca”.

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