quinta, 06 de maio de 2021

Policial
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Homem mantém filha e esposa em cárcere privado por três anos

Wênia Bandeira / 29 de junho de 2018
Foto: Divulgação
O agricultor Sebastião Jerônimo dos Santos, conhecido como Bastião, mantinha a esposa e a filha em cárcere privado na cidade de Coremas, localizada a 390 quilômetros de distância de João Pessoa, há pelo menos três anos.

A informação é da Polícia Civil, que ainda se deparou, durante o flagrante, com R$ 38 mil em dinheiro e dezenas de cartões do Programa Bolsa Família, levando a suspeita de agiotagem.

Segundo o delegado seccional de Itaporanga, Antonio Netto, uma denúncia anônima deu início a investigação. O informante dava conta de que mãe e filha eram mantidas presas em casa e que a adolescente havia deixado de frequentar a escola há três anos.

Ao libertar mãe e filha, a polícia percebeu que a cômoda e o guarda-roupa do agricultor estavam cheios de dinheiro e cartões do Bolsa Família com diversos nomes de beneficiados. A PC acredita que ele fazia empréstimos a juros.

“No interior, alguns agiotas só emprestam dinheiro com garantia e as pessoas dão as senhas dos cartões do Bolsa Família. Elas não deveriam pegar empréstimos e ainda pior, dar as senhas”, falou Antonio Netto.

Dentre os pertences de Bastião, a polícia também encontrou um revolver calibre 38. Desta forma, ele responderá por cárcere privado, agiotagem, posse de arma de fogo e apropriação indébita em razão dos cartões encontrados e, somadas, as penas vão de cinco anos e seis meses a 17 anos de reclusão.

A Polícia Civil solicitou medida protetiva para que o suspeito mantenha afastamento do lar e de ambas as vítimas. Elas também deverão ser assistidas por atenção social provida pela Prefeitura Municipal.

Patologia

“Geralmente uma pessoa que prende alguém em cárcere privado tem uma patologia mental crônica e severa, que pode levar a assassinatos. Estão fora de controle, perdem o senso de realidade, que faz refletir sobre culpa e medo de cometer atos desse tipo”. A declaração é da professora de psicologia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Railda Fernandes.

Salientando que não tem conhecimento profundo do caso registrado em Coremas, a psicóloga explicou que é possível que crimes como este possa ser praticados também por quem passa por situações de extremo estresse ou que esteja em uso de psicoativos (drogas ilícitas).

“O estresse pode ser tratado através de estilo de vida e, em alguns momentos, psicoretapia ou terapia comportamental. Já algumas doenças não têm registro de cura, mas é possível controlar com medicamento e mudança de vida”, explicou.

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