quarta, 19 de dezembro de 2018
Policial
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Genro teria matado sogro por fortuna de mais de R$ 70 milhões

Aline Martins / 08 de junho de 2018
Foto: Assuero Lima
“Tudo indica que a ganância foi a motivação, infelizmente. Parece que o dinheiro envenena o homem”. A afirmação é do delegado de Crimes contra a Pessoa de João Pessoa, Aldrovilli Grisi, responsável pela investigação da morte do engenheiro e sócio de uma empresa da construção civil da Capital, Arnóbio Ferreira Nunes, assassinado em novembro de 2017.

O genro Cícero Antônio da Cruz Almeida (Tony Almeida), apontado como mentor do crime, foi preso nessa quinta-feira (7) durante a fase Epílogo da Operação Expurgo. A vítima havia passado por procedimentos cirúrgicos e estava ajudando muitas pessoas. De olho no patrimônio de R$ 70 milhões, o genro teria encomendado o crime. Além dele, outras seis pessoas foram presas.

O executor, o oitavo acusado de envolvimento na participação, foi preso em abril deste ano. A Polícia Civil ainda investiga se a filha de Arnóbio sabia do crime.

A casa e o carro utilizados por Cícero Antônio pertenciam ao engenheiro morto. “Cícero Antônio era mais do que um filho para o senhor Arnóbio, daí a crueldade e a frieza desde crime”, frisou o delegado.

Segundo Aldrovilli Grisi, o sócio da empresa da construção civil estava em um momento delicado da vida e por conta disso começou a ajudar os filhos fora do casamento e as mulheres com quem mantinha relacionamentos extraconjugais. “Já tinha passado por vários processos de cirurgias e a gente sabe que quando a pessoa quando chega nessa fase da vida fica mais emotiva. Ele vinha ajudando muitas pessoas. Talvez isso tenha sido interpretado pelo mandante como uma dilapidação do patrimônio, o que o levou a essa antecipação de uma causa natural que é a morte”, afirmou.

Esposa suspresa

Durante a prisão do acusado de ser mentor do crime, os policiais notaram surpresa da esposa de Cícero Antônio. No entanto, o delegado não descarta a participação dela no crime. Ela disse informalmente a Polícia Civil que desconhecia do envolvimento do marido na morte do pai, mas as investigações irão continuar. “Há uma linha de investigação da possibilidade da esposa de Cícero Antônio ter ciência desse fato. Porque imagine só, você assumiu o risco de mandar matar o sogro, a polícia descobrir, você ser preso, ainda ter o divórcio e ficar sem ter dinheiro. Então eu acho um risco muito grande, mas é uma possibilidade”, revelou.

A principal motivação, ainda não foi comprovada, mas se aponta que teria sido a financeira, pois estava em jogo um patrimônio volumoso. Além disso, todo dinheiro investido por Cícero Antônio para construção de imóveis era emprestado por Arnóbio Ferreira Nunes. Inclusive, R$ 5 milhões financiados, foram utilizados para construção de residências no bairro de Mandacaru e que ainda estão sendo vendidas. “O senhor Arnóbio não viu a cor desse dinheiro”, disse, destacando que acusado tinha uma dívida com a vítima. Ele era muito influente na família. “Ele sempre ficava a frente de tudo que envolvesse o sogro. Até porque a esposa dele agora é sócia da empresa. Assumiu a posição do pai na empresa”, ressaltou.

O delegado disse que os demais presos Raquel, José Ricardo, Cristiane, Débora e Jose Ailton são pessoas associadas ao crime, pois assumiram o papel de repassar dinheiro do mandante para o intermediário e o executor, com isso, manteriam segredo.

Queima de arquivo

O valor estimado pago para a execução do crime teria sido de R$ 120 mil, sendo R$ 70 mil para o executor direto e R$ 50 mil para o intermediário. Na última segunda-feira seria feita uma nova entrega de dinheiro, mas foi adiada para quarta-feira e posteriormente para essa quinta-feira (7). Como a Polícia Civil estava preocupada com a possibilidade de Cícero Antônio executar o próprio intermediário, como uma forma de queima de arquivo, a Operação foi antecipada.

Valor usado na piscina

Parte do dinheiro havia sido paga, o que foi comprovado quando os policiais observaram as benfeitorias feitas com parte do dinheiro pago pelo crime na residência de Carlos Rogério (acusado de intermediar o crime) como construção de uma piscina e reforma dentro de casa. No entanto, com a prisão do acusado de ser executor, a pressão aumentou em cima do mentor e do intermediário.

“Josivaldo passou a exigir dinheiro para pagar advogado e demais custeios da família haja vista que ele tinha saído de circulação. Por medo de ser preso, Cícero Antônio passou a pagar mais dinheiro”, frisou o delegado, destacando que várias vezes o genro da vítima foi a delegacia passar pistas falsas do crime.

Acusado afirma que é inocente

Cícero Antônio afirmou não ter participação no caso. “Ele [o delegado] tem meu telefone, meu sigilo bancário é aberto, ele pode ver. Eu sou inocente. O delegado vai ter que provar na Justiça o que ele disse”, comentou.

O advogado dele, Gustavo Botto, disse que não teve acesso aos inquéritos, pois foi feito de forma sigilosa. “Nós vamos tentar a liberdade dele ou prisão domiciliar uma vez que ele esta doente e ter acesso ao inquérito para exercer a defesa dele”, comentou, destacando que Tony fez uma bariátrica no último sábado e está seguindo algumas regras alimentícias.

Já o advogado de Débora e de Cristiane, Oscar Coutinho, disse que também iria se inteirar das investigações. “Nós vamos ter acesso ao inquérito que está demandado pela delegacia e no que nós tivemos acesso foi a própria entrevista coletiva do delegado, onde ele disse que essas pessoas participaram de maneira distante, apenas como apoio do fato delituoso. Pelo que a gente conversou com elas, elas disseram que não tiveram nenhuma participação”, contou.

Já o advogado de Carlos Rogério e de Raquel Ferreira (marido e mulher), Platinir Rocha, destacou que como o casal já estava sendo investigado, já tinha uma linha de defesa. “A gente já tinha uma defesa prévia porque eles estavam sendo investigados. Independente dessa linha de defesa foi prestada a informação pelo delegado que ele não tinha nenhum tipo de investigação sobre nosso cliente e agora teve essa prisão. Nós vamos tomar as medidas cabíveis para resolver essa situação, mostrando que realmente ele não tem esses processos como foi arruído pelo delegado”, frisou.

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