domingo, 20 de setembro de 2020

Policial
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Pastor mandava meninos pedirem perdão após sofrerem abuso sexual

Ana Daniela Aragão / 05 de outubro de 2016
Foto: Divulgação
Um pastor da igreja evangélica Assembleia de Deus do município de Bayeux, na Região Metropolitana de João Pessoa, foi preso nesta quarta-feira (05), acusado de abusar sexualmente de dois adolescentes de 14 e 16 anos. De acordo com o delegado da 5ª Distrital, Diego Garcia, as famílias dos meninos sabiam do caso e não impediam Jeferson Batista de Amorim, 35, de realizar o crime. Com o mais novo, ele manteve um relacionamento forçado por sete meses.

O pastor tem uma casa atrás da igreja onde os adolescentes costumam dormir com o consentimento da família. “Eles eram integrantes da igreja e declararam que houve uma tentativa de prática sexual com o mais velho e com o outro, ele chegou a ter um relacionamento estável e relações sexuais. O de 16 anos ainda disse que acordou um dia com o pastor tocando em suas partes íntimas. O que percebemos é que os adolescentes tinham temor e respeito por ele. O impressionante é que as famílias sabiam e os parentes do Jeferson também e todos eram coniventes com a situação”, disse.

Os dois meninos questionavam o pastor sobre os abusos. “Eles perguntavam se aquilo era certo, mas Jeferson dizia que se eles se ajoelhassem, rezassem e pedissem perdão, ficaria tudo bem e eles seriam perdoados”, disse.

No momento da prisão, a polícia encontrou o pastor com uma sobrinha de 10 anos dormindo no quarto dele. “Falei com o pai dela que afirmou que não via nada de errado com a situação”, declarou. A polícia não confirmou se a criança sofreu alguma violência. Ela foi encaminhada para o conselho tutelar e iria passar por exames. O delegado afirmou que podem existir mais vítimas já que cinco a seis adolescentes frequentavam a casa do pastor. “Inclusive, ele tem um filho que foi adotado aos 12 anos e que está relutante em dar um depoimento. Acreditamos que a prisão do pai vá deixá-lo mais a vontade para falar sobre o assunto. Jeferson não era casado”, explicou.

“Ainda vamos ouvir o pastor, mas ele permanecerá preso temporariamente. A família me entregou um atestado de loucura, mas ele consagrava há anos na comunidade São Bento. Mesmo assim, o problema mental ainda não foi confirmado. Começamos a investigar o caso após uma denúncia anônima através do 197 há três meses. Os meninos tinham 13 e 15 anos quando os abusos começaram. Ele vai ser indiciado por estupro de vulnerável”, disse o delegado Diego Garcia.

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