quarta, 12 de maio de 2021

Policial
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Esquema envolvendo agentes penitenciários vendia celulares para presos do PB1

Halan Azevedo e Isis Villarim / 20 de setembro de 2018
Foto: Halan Azevedo
Dez dias depois do ataque que deixou a Paraíba em pânico, o presídio de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes, o PB1, em João Pessoa, foi alvo nessa quarta-feira (19) da ‘Operação Black Friday’, que revelou um esquema escandaloso de comercialização de celulares que envolve agentes penitenciários lotados na Casa de Detenção. De acordo com o secretário de Administração Penitenciária da Paraíba (Seap), coronel Sérgio Fonseca, os aparelhos de telefone estavam sendo negociados por valores que variavam de R$ 15 mil a R$ 50 mil.

Dois agentes foram presos. Além disso, a cunhada de um deles foi detida. Há um quarto envolvido, que também foi detido, mas que o secretário não quis revelar quem é. Os agentes vão ser investigados criminalmente por corrupção ativa e organização criminosa, além de enfrentarem uma investigação administrativa.

Os presos faziam cotas entre eles para custearem os celulares. “Três presos da unidade foram identificados como responsáveis por fazerem a ponte entre os detentos que queriam os celulares e os agentes, que repassavam os equipamentos. Os preços dos celulares variavam entre R$ 15 mil e R$ 50 mil”, disse o delegado Allan Murilo Terruel, da Delegacia Especializada Contra o Crime Organizado (Decor).

Segundo Terruel, o crime foi desvendado a partir da descoberta de uma mulher que disponibilizava conta bancária para que os valores dos celulares fossem depositados. Após a transação, o dinheiro era repassado aos agentes. “Nós descobrimos uma mulher que era a responsável por disponibilizar conta bancária para depósito dos valores dos celulares e passamos a monitorá-la. Depois, descobrimos que a irmã dessa mulher tinha um relacionamento com um agente penitenciário. A partir desse levantamento, nós monitoramos todas as atividades do agente e conseguimos identificar o envolvimento dele. Conseguimos também monitorar e filmar uma entrega do dinheiro repassado pela mulher ao agente. Hoje, conseguimos filmar a segunda entrega, de R$ 4 mil, entre a mulher e o agente e demos voz de prisão aos dois”, afirmou.

Operação

A ‘Black Friday’ ocorre em conjunto com a Polícia Civil, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Ministério Público da Paraíba (MPPB) e Secretaria de Administração Penitenciária (Seap).

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