sábado, 05 de dezembro de 2020

Policial
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Desempregados, concurseiros se revoltam com fraudes em concursos na Paraíba

Redação com Ainoã Geminiano, do Jornal Correio / 21 de maio de 2017
Há 15 dias a Polícia Civil de João Pessoa começou a desmontar um dos maiores esquemas de fraudes em concursos públicos já descobertos no País. Desde então, 29 pessoas foram presas e uma se apresentou. Os criminosos receberam mais de R$ 21 milhões e o número de envolvidos pode chegar a 500. Mas, existe outra face dessa história, que não está no foco da polícia e que sofre o impacto mais forte da ação criminosa: os candidatos que honestamente se esforçam, investem tempo e dinheiro para conseguir aprovação por merecimento.

Enquanto a PC ouve os suspeitos, o Correio foi ouvir concurseiros, que viram suas chances indo parar nas mãos de bandidos. O sentimento é de revolta e de tempo desperdiçado, ao saber que seguem desempregados, enquanto falsários estão nomeados.

Dias após a deflagração da Operação Gabarito, o promotor Otávio Paulo Neto, coordenador do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), lamentou o fato de a legislação brasileira não acobertar os candidatos que perderam as vagas para o esquema criminoso, no

caso dos concursos que já se venceram. "Mesmo que a polícia comprove que o servidor empossado entrou por meio da fraude e ele seja demitido, os candidatos que ficaram na sequência da classificação do concurso só serão chamados que o certame ainda tiver dentro do prazo de validade. Se esse prazo já tiver esgotado, o ente público terá que fazer novo concurso para preencher as vagas outra vez", explicou.

O promotor disse também não haver previsão legal para o cancelamento de concursos que tenham sido fraudados nos moldes dos que foram descobertos na operação. "A Lei só prever esse cancelamento quando a fraude, de alguma forma, envolve a empresa organizadora ou a instituição contratante do concurso. Algo como vazamento de questão de prova, por exemplo. No caso investigado pela polícia, ao que se consta até o momento, os criminosos conseguiram um meio moderno de driblar a segurança, não envolvendo necessariamente alguém ligado à organização", completou.

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