sábado, 16 de janeiro de 2021

Policial
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Comando Vermelho ameaça invadir território e ‘Okaida’ jura grupo rival de morte

Ainoã Geminiano / 05 de maio de 2017
Foto: RAFAEL PASSOS
Um vídeo feito por presidiários paraibanos, que circulou nas redes sociais e ganhou destaque no noticiário nacional, sugere que a facção carioca Comando Vermelho estaria ameaçando invadir territórios da facção ‘Okaida’ na Paraíba. Nas imagens, detentos que estariam no presídio do Róger, na Capital, fazem ameaças de morte aos integrantes do CV, caso tentem entrar nas unidades prisionais da Paraíba.

Em um dos vídeos, aparece um grupo com cerca de 50 presos, com os rostos encobertos com camisas, facões e facas nas mãos, gritando o nome da facção "Okaida", um dos grupos que polarizam a comunidade carcerária da Paraíba. “Aqui, no estado de nós aqui. No estado da Paraíba é tudo Okaida. Comando Vermelho é no Rio de Janeiro. Aqui não tem esse negócio de Comando Vermelho não. Aqui não tem Comando Vermelho. Não venham pra cá que vai perder só as cabeças”, diz um dos presos. Em outro trecho, o presidiário diz que vai mostrar o poder de fogo nas ruas e que a facção possui armas de todos os calibres, inclusive fuzis.

Num terceiro trecho do vídeo, os presos seguram um dos detentos, que tem na mão direita uma tatuagem com as iniciais "CV" e apagam as letras com a ponta de uma faca, aquecida no fogo. O ato, segundo o narrador do vídeo, é uma forma de demonstrar a não aceitação da facção carioca nos presídios paraibanos.

O ex-diretor do presídio Sílvio Porto, Ednaldo Correia, que conhece a realidade dos presídios paraibanos, ouvido pela reportagem da TV Record, disse que é grande o risco de acontecer na Paraíba o que aconteceu no Norte do país. Segundo ele, embora os presos do Róger sejam separados por facções, só existe o cadeado da grade de cada pavilhão para conter os grupos. "Estamos avisando do risco antes. Vai deixar acontecer o problema para poder passar um muro separando os presos? Se for o caso, é preciso até desativar a unidade", disse.

Procurada pela reportagem do Correio, a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) não deu retorno aos contatos, até o fechamento desta edição. Ontem à tarde, todos os diretores de presídios foram convocados para uma reunião, cuja pauta não foi informada pela secretaria. À reportagem da Record, a Seap disse que está realizando varreduras nos presídios para apreender as armas exibidas no vídeo e que está investigando o caso para identificar os responsáveis pelas ameaças.

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