quarta, 26 de junho de 2019
Policial
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Clonagem de chip lidera golpes em João Pessoa

Ainoã Geminiano / 29 de janeiro de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
A clonagem de chips e das contas de WhatsApp continua em alta, em João Pessoa, de acordo com a Delegacia de Defraudações e Falsificações (DDF-JP). Umas das últimas vítimas foi um apresentador de TV, cujos amigos foram lesados pelos bandidos. Um deles chegou a depositar R$ 5 mil na conta do estelionatário. Outra clonagem, a de anúncios de veículos à venda em sites de compras online, tem sido bastante registrada na Capital. Nesse golpe, bandidos enganam ao meso tempo o dono do carro e a pessoa interessada em comprar o veículo.

A DDF-PJ não disponibilizou dados estatísticos das investigações abertas este mês. Mas analisando os atendimentos, o delegado Marcos Vasconcelos disse que a maior demanda ainda é o golpe do WhatsApp.

“Atualmente os chips novos não vêm mais com o número já cadastrado. O usuário liga para a operadora e recebe um código de seis dígitos. Em um segundo contato com a operadora, ele informa o número que recebeu e, a partir daí, o chip antigo é invalidado e os dados são transferidos para o novo chip”, disse.

Baseado nessa mudança de sistema, os bandidos criaram uma forma de agir. “A clonagem já confirmada aqui na Paraíba é o bandido, de posse do número da vítima, ligar para a operadora se passado pelo dono do celular e pedir a restauração do chip. A vítima recebe o código e logo em seguida recebe uma ligação do bandido, dizendo ser um funcionário da operadora e pedindo que a pessoa confirme o código que recebeu. Após conseguir o código o bandido liga para a operadora e informa a numeração, invalidando o chip da vítima e recebendo todos os dados no chip que está co ele. Em seguida começa a mandar mensagens para os contatos da vítima, simulando uma situação de apuros e pedindo dinheiro”, explicou.

O tempo que a vítima leva para perceber que o chip foi clonado é o tempo em que o bandido fala com os amigos dela e consegue enganar vários. “No caso do apresentador aqui de João Pessoa, os amigos dele fizeram depósitos em duas contas do Distrito Federal e duas em São Paulo. Essas contas já são abertas com documentos falsificados, são sempre poupança e assim que os bandidos sacam o dinheiro, encerram as contas, para dificultar investigações.

Em outro caso registrado aqui na DDF, uma vítima depositou dinheiro em uma conta de Brasília e o dinheiro foi sacado em Bento Gonçalves (RS), criando mais uma dificuldade para a polícia e mostrando como esses bandidos estão espalhados em todo país”, acrescentou o delegado.

Venda de carro pela web



A segunda maior demanda da DDF-JP, segundo Marcos Vasconcelos, é o golpe do carro vendido pela internet. Uma espécie de clonagem de anúncios de sites de vendas online.

“O bandido vê um anúncio real de um carro, faz prints das fotos e cria outro anúncio, no mesmo site, oferecendo o mesmo carro por um valor muito abaixo. Atraído pela vantagem do preço baixo, o comprador faz contato com o bandido e pede para ver o carro. Ele cria uma história para explicar que o carro é de um ou uma parente, pede para que o interessado vá no endereço da pessoa e peça para ver o carro, sem discutir valores. Ao mesmo tempo o bandido faz contato com o dono do carro e diz que tem um primo interessado e que vai procurá-lo para olhar o carro”, explicou.

Dessa forma, o estelionatário usa da habilidade de convencimento para colocar o dono do carro e o comprador em contato um com o outro, sem que nenhum dos dois saiba que está sendo enganado. Na hora de fechar a compra, o bandido se coloca como único intermediário para os dois. Faz o comprador depositar o pagamento em uma conta, alegando dificuldades do dono em recebe o tal depósito. Ao mesmo tempo, deposita um envelope em branco na conta do dono, que aparece como depósito a confirmar.

"Muitos proprietários confiam nesse depósito a confirmar e vão ao cartório transferir o carro para o comprador. Os que resolvem esperar a compensação, percebem que caíram em um golpe. Mas nisso o comprador já depositou o dinheiro para o bandido. No final, pelo menos um dos dois são lesados." - Marcos Vasconcelos, delegado

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