sábado, 21 de setembro de 2019
Policial
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Câmeras de segurança não inibem assaltos em JP

Ainoã Geminiano / 14 de fevereiro de 2019
Foto: Assuero Lima
“Um vizinho meu instalou câmeras para inibir os assaltantes, um cara veio e roubou as câmeras”. O relato do comerciante Hermano Silva, dono de um estabelecimento no Bairro dos Estados, em João Pessoa, ilustra o quanto o monitoramento por câmeras perdeu a eficácia de afugentar criminosos. Na Capital, diariamente as redes sociais revelam vídeos de assaltantes atacando vítimas, a maioria com rosto descoberto e demonstrando não temer a captura de imagens. Para o comandante do Policiamento Metropolitano da Capital, coronel Lívio Sérgio Delgado, é fato que as câmeras já não surtem o mesmo efeito e isso é consequência da certeza da impunidade dos bandidos.

Um dos assaltos registrados pelas câmeras aconteceu na Rua João Câmara, no Jardim 13 de Maio, vitimando uma empresária que não quis ser identificada na reportagem. Ela conversava com uma amiga na calçada do estabelecimento, vigiada por três câmeras, quando foi abordada pelo bandido.

“Ele passou aqui em uma moto, percebeu nós duas conversando e voltou quando já estava na esquina. Sacou uma arma, anunciou o assalto e disse que se eu corresse ele atirava. No medo, só pensei em fugir da situação e corri para dentro da fábrica”, contou ela, dizendo ainda crer que o assaltante é o mesmo que praticou outros dois roubos em uma rua lateral.

O empresário Hermano Silva, que trabalha no Bairro dos Estados, disse que tem câmeras instaladas em seu estabelecimento, mas não crê que isso iniba a ação de criminosos. “Todos os estabelecimentos dessa região têm circuito de câmera, mas na semana passada aconteceram uns cinco assalto aqui na rua de trás, todos filmados por câmeras. E aí, de que adianta?”, questionou.

No Bairro dos Estados, onde Hermano trabalha, a maioria das residências são equipadas com cercas elétricas e câmeras de todos os modelos, algumas de tamanho avantajado, para que fique visível aos bandidos. “Nós fazemos tudo que está a nosso alcance quando pensamos em segurança. Até agora, graças a Deus, nossa casa não foi invadida. Não sei se é por causa das câmeras, mas em todo caso, elas vão ficar aí. Se são eficientes ou não, não sabemos. Mas até agora acho que tem dado certo”, disse o empresário Kleber Magalhães, morador do bairro.

Impunidade



Na avaliação do coronel Lívio Delgado, os bandidos estão cada vez mais bem informados sobre as brechas legais e benefícios a que têm direito, o que fez espalhar uma certeza de que ficarão impunes. “Claro que as câmeras continuam tendo sua utilidade, mas no pós crime, quando a investigação pode identifica o autor, levando à prisão e obtendo uma prova técnica da autoria. Mas no sentido preventivo, isso não acontece mais, porque ele, mesmo sabendo que pode ser identificado, sabe que não ficará preso”, afirmou. A crítica do oficial é direcionada a benefícios legais como o direito à Audiência de Custódia, criada em 2015 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Reforço do policiamento em motos



Para tentar reduzir a onda dos chamados crimes violentos patrimoniais (CVP), o comando da PM e o Governo do Estado planejam criam um Batalhão especializado em policiamento de motos, com o objetivo de aumentar a quantidade de policiais com esse tipo de veículo, visando mais rapidez e agilidade na perseguição a bandidos.

Atualmente existe apenas pelotões como a Rotam (Rondas Táticas com Apoio de Motos), nas principais cidades do Estado. “A ideia central dessa proposta é ter um policiamento mais acessível em ambientes onde as viaturas convencionais não conseguem chegar, além de aproveitar a rapidez que a moto oferece. Além disso, em uma situação de perseguição, um grupo de policiais, cada um em um veículo, pode se espalhar se necessário e montar cercos ao suspeito”, explicou coronel Lívio.

Segundo o oficial, a proposta ainda está sendo debatida e há ajustes a serem feitos, embora o Governo já tenham feito a compra de uma frota de motos.

“Temos que treinar bem esse pessoal, até porque é uma pilotagem especial, temos que definir designação de Batalhões e vários outros detalhes. No momento oportuno o Governo fará o anúncio com toas as informações necessárias”, completou o comandante Metropolitano.

O coronel disse ainda que não faltam policiais nas ruas do Estado, para fazer o patrulhamento preventivo e que o maior problema, que contribui para tandos assaltos, é a sensação de impunidade.

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