sexta, 18 de outubro de 2019
Policial
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Buega Gadelha nega envolvimento em esquema investigado pela PF

Katiana Ramos / 22 de fevereiro de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep-PB), Francisco de Assis Benevides Gadelha (Buega), negou que o Sistema Social da Indústria (Sesi) da Paraíba tenha recebido ou desviado qualquer recurso vindo dos Ministérios da Cultura e do Turismo para patrocínio ou realização de eventos e ações culturais no Estado, conforme investigações em andamento da Polícia Federal (PF) na ‘Operação Fantoche’, deflagrada na última quarta-feira.

Apesar da decisão da Justiça Federal de Pernambuco, que concedeu a liminar de soltura de Buega Gadelha e de outros investigados na Operação, ainda na quarta-feira, desde que se afastem das funções que ocupam nas entidades que representam, Buega Gadelha afirmou que se ausenta da diretoria do Sesi e não frequentará a estrutura física da sede da Fiep, em Campina Grande, pelo prazo de 90 dias.

“Nós não temos nenhuma ligação com o Ministério da Cultura e Ministério do Turismo. Nunca recebemos 1 real do Ministério do Turismo, nem do Ministério da Cultura. É por isso que não entendo porque fui envolvido nisso. Nunca foi transferido nenhum recurso para nós. Não há desvio de dinheiro nenhum no Sesi”, explicou Buega Gadelha, adiantando que a diretoria do Sistema Social da Indústria ficará sob a responsabilidade do vice-presidente da Fiep, Magno Rossi.

Buega disse ainda que vai tirar uma licença, espontaneamente, da presidência da Fiep durante o perído de 90 dias que ficará afastado do Sesi e reafirmou que a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba e demais órgãos do Sistema S no Estado estão colaborando com a Polícia Federal. “Fui afastado do Sesi, porque eles (a Polícia Federal) precisam colher mais testemunhas e documentos. Então, deram um prazo de 90 dias para fazer isso e pediram para eu me afastar do Sesi. Vou me afastar da sede da Fiep e, posteriormente, depois de alguns dias, vou pedir uma licença para que o vice-presidente Magno Rossi exerça a função com inteireza”, frisou.

Surpreendido com prisão



Sobre a prisão temporária, Buega Gadelha alegou que foi surpreendido e que desde o primeiro momento tem colaborado com a Polícia Federal. Segundo ele, após prestar depoimento à superintendência da PF, em Brasília, foi liberado a pedido da própria polícia. “Estou há 23 anos na presidência da Fiep e nunca tive que prestar esclarecimentos sobre nada do que produzimos. Fui à Polícia Federal prestar esclarecimentos e fui liberado, por meio de um alvará de soltura, a pedido da própria Polícia Federal”, detalhou.

Além do presidente da Fiep-PB, também foram presos o presidente da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), Robson Andrade, e um dos donos da empresa Aliança, organizadora do São João de Campina Grande, Luiz Otávio Gomes Vieira da Silva, além de mais sete pessoas, incluindo ainda os presidentes das Federações da Indústria de Alagoas e de Pernambuco, José Carlos Lyra de Andrade e Ricardo Essinger, respectivamente.

Os quatro e a publicitária Lina Rosa Gomes Vieira, ligada à Aliança Comunicação, e outro preso, que não teve o nome revelado pela PF, foram liberados ainda na noite da última quarta-feira. Já outras quatro pessoas suspeitas de envolvimento no desvio de verbas permanecem presos.

Relembre a operação



Buega Gadelha foi preso no último dia 19, enquanto participava de evento da CNI, em Brasília (DF). O mandado de prisão foi cumprido no final da manhã e mesmo dia ele foi solto por uma liminar expedida pela Justiça Federal de Pernambuco, onde a Superintendência da PF nesse mesmo Estado deflagrou a Operação Fantoche.

A ação investiga um grupo de empresas controlado por uma mesma família que vinha atuando desde 2002, executando contratos através de convênios com o Ministério do Turismo e de entidades do Sistema S, incluindo a Fiep-PB.

Segundo a PF, o grupo investigado criou empresas sem fins lucrativos para justificar os convênios com verbas pública, a maior parte delas utilizadas para pagar eventos culturais e publicitários. Para gerar lucro aos investigados, os contratos eram superfaturados ou não eram completamente concluídos. Em seguida os recursos eram desviados para os empresários, por meio de empresas de fachada, conforme apurou a PF. A principal empresa beneficiada com os supostos desvios investigados, segundo a PF, era a Aliança Comunicação e Cultura, que usava o Instituto Origami para receber os repasses federais, e celebrou vários contratos com o Sesi para desenvolver projetos.

Valor. A PF estima que o grupo tenha recebido mais de R$ 400 milhões, através do esquema.

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