terça, 14 de julho de 2020

Policial
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Após arrastão, estudantes e professores se sentem desprotegidos na UFPB

Lucilene Meireles / 20 de julho de 2018
Foto: Nalva figueiredo
A sensação de insegurança no campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em João Pessoa, aumentou após um assaltante armado fazer um arrastão dentro de uma sala de aula na noite da última quarta-feira (18), roubando os celulares dos alunos e a da professora. Docentes e estudantes se sentem inseguros mesmo dentro da sala de aula.

Diante de um histórico de furtos, assaltos, estupros e ameaças, quem é aluno, professor e funcionário tem medo de andar pelo Campus I, em João Pessoa, e se tornar a próxima vítima. À noite, a situação é ainda mais assustadora pela pouca iluminação.

Apesar de existir segurança privada e do quadro nas guaritas e pelos departamentos, o número de profissionais não é suficiente para evitar a violência. Os estudantes pedem providências urgentes.

Rebeca Monteiro, aluna do curso de Direito, considera o campus inseguro. “Para as mulheres é muito mais difícil e o medo bem maior. Uma medida que adotamos para sentirmos um pouco de segurança é andar sempre acompanhadas com outro colega ou em grupo. Aqui ouvimos muitas promessas de melhoria, mas na prática nunca são cumpridas e nós acabamos pagando pela falta de uma iniciativa que, de fato, garanta segurança para todos, desde os alunos, passando por professores e funcionários”, lamentou.

Alguns estudantes preferiram ficar no anonimato, mas garantiram que falta uma vigilância melhor. “Ninguém espera que ocorram assaltos, furtos, arrombamentos de veículos num local onde, em tese, só há estudantes. Porém, são muitas entradas, além de obras abandonadas. O prédio de Energias Renováveis está desativado e pode ser utilizado por quem entra para fazer o mal”, observou uma aluna do curso de Ciências Contábeis.

Uma aluna do curso de Geografia, que também não quis se identificar, disse que existem câmeras, mas não há um sistema de monitoramento que funcione, de fato. “Deixar o carro no estacionamento é um perigo e, se tem segurança privada à noite, não sei onde ficam porque eu não vejo”, disse. Ela lembrou que, há cerca de dois anos, houve discussão sobre um projeto que previa o monitoramento de quem fosse entrar nas salas, com um crachá para identificar os alunos. Porém, nunca saiu do papel.

O arrastão

O arrastão dentro da sala de aula aconteceu na noite da última quarta-feira, dia 17. Por volta das 20h30, um homem bem vestido entrou na sala 219, do Observatório de Pesquisa e Prática em Administração (Oppa), do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA), durante a aula da disciplina Custos II.

“A sala estava lotada. Ele abriu a porta, entrou calmamente e disse que era um assalto, mostrando um revólver calibre 38 na cintura. Pediu os celulares e, quando encheu os bolsos, simplesmente disse para a professora continuar a aula. Fechou a porta e foi embora. Algumas alunas ficaram em pânico, chorando. Eu tive a sorte de ficar no final da sala e não fui roubado, mas estou com medo. Não temos segurança”, relatou um aluno do curso de Ciências Contábeis que estava na sala quando aconteceu o assalto. Segundo ele, que tem medo de se identificar, ninguém expressou qualquer reação. Todos ficaram perplexos.

Uma professora do CCSA relatou que, esta semana, dois homens vestidos de palhaços entraram na sala enquanto ela dava aula. “Eles falavam mal do governo e, no final, pediram uma ajuda. Eu tive que abrir a bolsa e dar uns trocados, mas eles poderiam ter arrancado a bolsa de mim.Tem que investir na segurança, com câmeras, iluminação, para que os professores e alunos possam trabalhar e estudar com um pouco mais de tranquilidade”, sugeriu.

Localização e extensão facilitam crime

O prefeito da Cidade Universitária, João Marcelo Alves Macêdo, disse que as imagens das câmeras de segurança estão sendo observadas. Ele afirmou que já foram tomadas algumas providências para melhorar a segurança, mas atribui o caso do arrastão ao crescimento da violência urbana. Além disso, destacou que a universidade fica dentro de uma mata, o que, de fato, aumenta os riscos.

“Ainda estamos avaliando a extensão, intensificamos as rondas, uma vez que temos a ronda motorizada. Solicitamos também que os vigilantes visitem mais os blocos de salas de aula, dando cobertura. Nós estamos num estado onde a violência urbana tem aumentado”, observou.

O prefeito afirmou que não há notícias de outros casos em sala de aula. “Temos informação no entorno, na parada de ônibus, arrombamento de veículos e furto dos pertences. Nesse sentido, temos vigilância, inclusive no trecho próximo à Caixa Econômica, que é menos movimentado, mas ali tem uma proximidade com a cerca e é muito fácil se livrar, porque ele (o ladrão) comete o crime, pula a cerca e vai embora. Não é só a universidade que tem que gerar segurança. É necessária uma ação maior, que envolva o poder público”, acrescentou.

Ainda segundo o prefeito, existem câmeras em alguns blocos e laboratórios. “Temos também um projeto que está parado por conta da empresa, que é de instalar câmeras nas vias públicas que cercam a universidade”, disse.

Já sobre o projeto cogitado para identificação por crachá, ele disse que foi cancelado. “Até se pensássemos em cancela, identificando todo mundo, não há um sistema que nos permita fazer isso. A identificação teria que ser com câmeras de rua”, completou.

Na noite de quarta-feira (18), logo após o arrastão na sala de aula, a Prefeitura emitiu uma nota, informando as providências tomadas, como acionamento da Base de Segurança da UFPB, Polícia Militar, da equipe de segurança privada e dos agentes de segurança da universidade.

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