domingo, 17 de novembro de 2019
Policial
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Adolescentes são apreendidos suspeitos de praticar violência sexual em escola

Beto Pessoa / 12 de março de 2019
Foto: Nalva Figueiredo
No banheiro de uma das escolas privadas mais tradicionais de João Pessoa, crianças viveram sessões diárias de violência psicológica e sexual. Na manhã de ontem, três adolescentes de 13, 14 e 17 anos foram apreendidos e encaminhados para o Centro Educacional do Adolescente (CEA), suspeitos de praticar os abusos contra um menino que tinha 8, à época do crime.

Segundo informações da Promotoria de Infância Infracional de João Pessoa, pelo menos outras duas crianças sofreram o mesmo tipo de violência. Um quarto adolescente, de idade não revelada, está sendo procurado.

De acordo com a delegada Roberta Neiva, titular da 1º Superintendência Regional de Polícia Civil, o crime está sendo investigado desde maio de 2018, mas só agora os mandatos foram expedidos. “O cumprimento dos mandatos foram para quatro adolescentes. Três foram cumpridos e um a polícia está em diligência. A idade do quarto não vamos divulgar porque ainda estamos buscando, mas também é menor. O fato aconteceu em maio do ano passado. Sexta-feira foram expedidos os mandatos pelo Judiciário e hoje foram cumpridos pela Polícia Civil”.

A demora na apreensão dos suspeitos, segundo a delegada, está ligada aos trâmites judiciais. “Há um procedimento, um trâmite para que se chegue a expedição do mandado. Há o esgotamento da via pela Polícia Judiciária, depois é encaminhado à Justiça para só depois ser expedido os mandados. A família procurou a polícia e da procura da família a investigação teve todo seu desenrolar. O sigilo da investigação é necessário e continua em virtude da idade das pessoas. Mas a escola não se furtou em passar as informações necessárias para investigação”.

A polícia não deu detalhes de como aconteceram as violências, mas disse que todas foram praticadas no banheiro da escola. “Em virtude da idade dos envolvidos, tanto da vítima quanto dos suspeitos, e da natureza do crime, a divulgação vai ser suave e restrita. O que pode ser dito é que acontecia no âmbito escolar e no banheiro. Mas, mais detalhes vamos resguardar”.

A promotora da Infância Infracional, Ivete Arruda, é a responsável pelo inquérito. Ela não detalhou a investigação, mas reforçou a dificuldade em se chegar aos suspeitos. “Comecei a atuar no caso em setembro. Não é fácil encontrar subsídios tão facilmente quando se trata de abuso de menor. É mais fácil encontrar assassino. Crime contra criança é uma coisa que todo mundo tenta esconder. É mais fácil assumir que tem um homicida em casa do que pedófilo. Ninguém quer falar sobre assunto. Se você não tem promotor que tenha coragem de ir para frente e ir atrás de buscar a realidade dos fatos você não vai encontrar pedófilo”.

Psicóloga alerta sobre os sinais



A psicóloga clínica especialista em atendimento à criança, Danielle Costa, disse que as crianças que sofrem esse tipo de abuso podem dar sinais da violência sofrida, por isso é preciso ficar atento. “Cada criança age de uma forma. Mas as reações são mais diversas, desde retraimento, até agressividade sem motivo aparente, sem que haja uma discussão. O choro também pode ser um indicativo’, disse.

A especialista destacou também os transtornos que esse tipo de violência pode gerar ao longo da vida das vítimas. “As consequências são muitas, como uma reação de transtorno de pânico, o estresse pós-traumático. São violências que acontecem em um ambiente escolar, o que pode fazer com que essa vítima sinta dificuldade de retornar ao ambiente, se adaptar novamente”.

Danielle Costa traçou um perfil dos abusadores. “Não são todos, mas em alguns casos abusadores foram vítimas. Também podem ser pessoas de personalidade sociopata, que vem a infligir regras e começa a desenvolver nos meninos a partir dos 16 anos’, destacou.

Fique atento



Observar o comportamento do filho;

Tentar pelo diálogo saber como estão as coisas na escola;

Notar se o filho está com medo de mostrar alguma parte do corpo;

Ao perceber os sinais, tentar descobrir com a escola o que pode está ocorrendo;

Buscar ajuda psicológica sempre que a criança apresentar estresse.

Indícios de alerta aos pais

Retraimento ou isolamento da criança;

Agressividade sem motivo aparente;

Choros sem explicação;

Medo de ir para escola;

Crises de pânico.

Fonte: Danielle Costa, psicóloga clínica especialista em Atendimento à Criança

 

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