terça, 01 de dezembro de 2020

Policial
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A dor invisível das agressões nas redes sociais

Rammom Monte / 11 de agosto de 2016
Foto: Divulgação
É inegável que as redes sociais já fazem mais do que parte da vida das pessoas na atualidade. Mas, como tudo na vida, ela tem seus lados positivos e negativos. E uma das situações que ainda acontecem e que já deveria ter sido abolida são as agressões virtuais. O caso notório mais recente foi o da nadadora Joanna Maranhão, que teve seu perfil em uma rede social inundado de comentários ofensivos após sua desclassificação na Olimpíada do Rio de Janeiro. E não são só as pessoas famosas que sofrem com este tipo de crime, que acontece corriqueiramente.

Mas como a  vítima deve se proteger? Na Paraíba, não há uma delegacia especializada em crimes cibernéticos. Por conta disto, o superintendente regional da Polícia Civil, Marcos Paulo Vilela, explica que quem se sentir lesado deverá procurar a delegacia mais próxima. “A vítima pode procurar qualquer delegacia, já que não existe uma específica para este tipo de crime. Então, a vítima pode procurar a delegacia mais próxima, registrar a ocorrência, para que se verifique qual foi a repercussão, qual tipo de crime foi cometido e a partir daí o delegado vai verificar se é atribuição da delegacia dele ou não e encaminhar quando houver necessidade”, explicou.

De acordo com o superintendente, ainda não há previsão para a Paraíba ter uma delegacia especializada em crime cibernético. Ele explica, ainda, que a depender do tipo de crime que se cometa na internet, é que se vai analisar qual delegacia vai apurar o caso e o agressor responderá pelo crime correspondente, podendo ser, por exemplo, injúria, calúnia, racismo, entre outros.

O superintendente esclareceu que, quando o agressor é facilmente identificado, a investigação é bem mais simples. Porém, há casos em que a identificação não é tão simples, tendo então que recorrer ao judiciário para que haja apurações mais técnicas, como quebra de sigilo, entre outras. Ainda segundo Marcos Paulo Vilela, na Paraíba não há um levantamento sobre a quantidade destes tipos de crime cometidos no Estado, já que não há uma delegacia especializada. Os crimes são contabilizados de acordo com sua tipificação.

Anonimato pode ser uma das razões das ofensas

O que explica a atitude de ofender as pessoas nas redes sociais? Para a psicóloga Patrícia Diniz, o anonimato é uma das coisas que ajuda neste fato. Segundo ela, as ofensas feitas pessoalmente têm as mesmas características das feitas no mundo virtual: há um alvo, um autor e testemunhas. O que difere é exatamente, em muito dos casos, a dificuldade de se reconhecer o agressor.

"Ansiedade, raiva,depressão, diminuição da autoestima, insegurança, isolamento social, são alguns dos resultados destas ofensas. Geralmente os autores são pessoas inseguras, de famílias desestruturadas e que no mundo virtual colocam para fora esta agressividade. Mas tem que denunciar", explicou.

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