sexta, 19 de abril de 2019
Cidades
Compartilhar:

Pelo menos 500 pessoas esperam para ter árvores podadas em CG

Wênia Bandeira / 21 de fevereiro de 2019
Foto: Chico Martins
Pelo menos 500 pessoas estão esperando para ter árvores podadas em Campina Grande, segundo estimativa da Secretaria de Serviços Urbanos e Meio Ambiente (Sesuma). Os moradores reclamam que as árvores trazem riscos e provocam medo e a Prefeitura confirma o problema, mas diz que não tem como atender toda a demanda.

A aposentada Maria do Socorro Menezes tem uma castanhola na calçada de casa. Os galhos estão em contato com a rede elétrica e a raiz está crescendo de forma descontrolada, além de estar oca por dentro.

“Quando eu vim morar aqui, há 40 anos, ela já estava plantada na calçada. Eu tenho medo devido ela estar ressecada e ser muito antiga. Além disso, ninguém tem dinheiro para ficar consertando calçada. O portão já não fecha direito e eu já encontrei raiz dela no meio da minha sala na última reforma que fizemos”, contou a aposentada, que reside na rua Deputado Álvaro Gaudêncio, no Centro da cidade, onde está a sede na Sesuma.

Maria do Socorro falou que procurou a Secretaria em dezembro, mas ainda não teve resposta. Ela explicou que, como os servidores estão sempre passando em frente a sua casa, está perguntando diariamente.

“Eu moro quase de frente a Sesuma. Quando passam no caminhão, eu sempre peço para cortar, mas eles dizem que não pode, dão um desculpa qualquer e não fazem. Eu só fico pensando que estamos no período de chuva e que ela pode cair”, acrescentou.

Segundo o secretário de Serviços uUrbanos e Meio Ambiente, Geraldo Nobre, na última ventania ocorrida na cidade, em 28 de janeiro, 44 árvores caíram. Este fato chamou a sua atenção para que priorize os casos graves.

“Se eu disser que atendo a necessidade na íntegra, estarei mentindo. Eu queria poder atender em até 72 horas após a solicitação, mas a Prefeitura não tem condição técnica para isso”, afirmou.

Geraldo Nobre falou que a Sesuma conta com quatro caminhões munck e precisaria de dez veículos para atender a demanda. Ele ainda salientou que Campina Grande tem cerca de 70 mil árvores, destas seis ou oito mil são algaroba.

“Algaroba não é apropriada para zona urbana, elas são de raízes rasas e não têm sustentabilidade para aguentar ventanias. Estamos retirando as algarobas e plantando de outras espécies”, contou Geraldo Nobre.

A dona de casa Maria de Fátima Silva mora no bairro José Pinheiro e há cerca de 15 anos ganhou uma muda de algaroba que plantou em frente a sua residência. Ela disse que a árvore chegou a seis metros de altura e precisou esperar seis meses para ter o pedido de poda atendido.

“Nós fizemos o pedido de poda em agosto e eles vieram cortar esta semana. Na ventania, essa árvore balançava de um lado para o outro, ainda não sei que sorte foi essa que ela não caiu carregando cabos de alta tensão e telhados”, declarou.

Mesmo sendo algaroba, a Prefeitura apenas podou a árvore. A dona de casa afirmou que não foi feita a troca, já que ela foi considerada saudável pelos técnicos, mesmo quebrando a calçada em que está plantada.

Relacionadas