terça, 12 de novembro de 2019
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Pedestres enfrentam lama, lixo e motos em passarelas

Aline Martins e Ainoã Geminiano / 27 de junho de 2019
Foto: Assuero Lima
“De repente, quando você está passando na passarela, vem uma pessoa atrás na moto e fica buzinando para você, pedestre, sair do meio. E se você disser alguma coisa eles xingam você. Como pode? É um absurdo total”. A reclamação é da dona de casa Mercês Monteiro que passa com frequência pela passarela do km 36 da BR-230, no distrito de Várzea Nova, no município de Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa. Só no primeiro semestre deste ano, a Polícia Rodoviária Federal (PRF), responsável pela fiscalização, já autuou 144 motoqueiros por transitar com o veículo nas passarelas que cortam as rodovias federais. O número representa uma média de 24 autuações por mês e já superou o total de autuações de todo o ano passado, quando 135 motoqueiros foram flagrados pela PRF.

No entanto, esse não é o único problema enfrentado pelos pedestres. Além da sujeira e mato no entorno das passarelas em Bayeux e de Santa Rita, na Região Metropolitana da Capital, quando chove, o acesso de subida/descida fica alagado, obrigando os usuários, inclusive idosos e deficientes, a andar por dentro da lama.

Por conta da dificuldade de locomoção e o uso de muletas, o autônomo José Cassiano da Silva não teve outra opção a não ser passar no meio da poça de água da chuva na subida/descida da passarela no km 36 da BR-230.

“Isso aqui é uma vergonha. Não passo todo dia, mas quando preciso encontro uma situação dessa. É muito complicado para quem tem dificuldade”, comentou, destacando que por não ter calçada e a rampa ter um nível mais baixo, há facilidade para o acúmulo de água.

O artista e borracheiro Vandemberg Belarmino, 37 anos, contou que há algum tempo fizeram um reforço na estrutura e até então ainda sem reclamações. “O problema aqui é que as motos vivem passando. Até parece que foi permitido isso. De vez em quando tem um premiado com multa”, afirmou.

Já a dona de casa Mercês Monteiro lamenta que o uso da passarela seja feito por motociclistas, já que é proibido. “Acho que deveriam colocar alguma coisa para impedir a passagem deles e deixar apenas para os pedestres. Todo mundo tem medo de ser atropelado em um local que é para o pedestre”, observou.

No quilômetro seguinte há outra passarela e o desrespeito por parte de condutores de motos continua. No momento da reportagem, a equipe flagrou motociclistas circulando com motos por cima da passarela nos km 36 e km 37.

Já em Bayeux, na passarela perto do trecho perto da comunidade de Manguinhos, além do mato no entorno, o acesso estava quebrado. “Quem tem dificuldade de locomoção sofre aqui porque essa entrada está bem destruída”, contou o vendedor Denis Trajano, que também reclamou da falta de iluminação na área. “Tem muitos moradores que passam durante e a noite e vivem sendo assaltados”, revelou. A dona de casa Maria Ana Nascimento de França, 60 anos, tem problemas na coluna, o que dificulta caminhar. “É bem ruim passar quando tem esses buracos na subida e não tem como atravessar direito”, reclamou.

Dnit mandará equipe

Por meio da assessoria de comunicação, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou que o órgão, junto à empresa contratada, vem executando serviços rotineiros de conservação ao longo do trecho.

A demanda citada na reportagem foi repassada para a unidade local do Dnit responsável pela circunscrição, que determinou o deslocamento de uma equipe aos locais informados para análise e atendimento. Quanto à utilização das passarelas por motociclistas, esclareceu que tal ato infringe as leis de trânsito e compete à Polícia Rodoviária Federal esse tipo de fiscalização.

Legislação

Art. 193. Transitar com o veículo em calçadas, passeios, passarelas, ciclovias, ciclofaixas, ilhas, refúgios, ajardinamentos, canteiros centrais e divisores de pista de rolamento, acostamentos, marcas de canalização, gramados e jardins públicos: Infração gravíssima, 7 pontos na CNH

Penalidade multa de R$ 880,41

Fiscalizações

A PRF informou que realiza fiscalização nas passarelas, nos horários mais citados nas denúncias, no início do dia, quando as pessoas estão indo para o trabalho e no final da tarde, quando estão retornado. “Temos feito abordagens, principalmente quando temos o apoio do nosso grupo de motos, flagrando os infratores no momento em que estão descendo da passarela, sem dar chance para que possam fugir. Vários flagrantes já foram feitos e aplicadas a multa prevista no Código de Trânsito”, disse a superintendente substituta da PRF-PB, Keila Melo.

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