sábado, 05 de dezembro de 2020

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Pedestres desatentos antes mesmo do Pokémon Go

Lucilene Meireles / 29 de julho de 2016
Foto: Assuero Lima
O Pokémon Go é um game para smartphones que mistura jogo e realidade, levando o jogador a andar pelo mundo real à procura de ‘monstros’ virtuais indicados pelo aplicativo via GPS. A febre, que vem atraindo cada vez mais usuários e também causando acidentes na Europa e América do Norte, ainda não chegou ao Brasil, mas por aqui nem é preciso um jogo para que acidentes ocorram. Pedestres desatentos ignoram o sinal vermelho e invadem a faixa, andam na rua falando ao celular ou conferindo redes sociais, entram na faixa sem pedir e caminham pela rua, deixando as calçadas em segundo plano. Claro que nem todos os acidentes têm o pedestre como culpado, mas a dica é manter-se atento.

Nas ruas de João Pessoa, é comum constatar a imprudência dos pedestres. No Centro da Capital, onde o movimento é maior, a comerciária Simone Andrade relatou que a todo momento vê as pessoas se arriscando, sem contar com os acidentes que ocorrem em frente à loja onde trabalha. “É grande a imprudência do pedestre. As pessoas entram na frente dos veículos sem esperar o sinal fechar. É um perigo”, afirmou.

Foi o que fez a comerciante Maria Leite Farias de Lacerda, que atravessou a via com o sinal fechado para o pedestre e quase foi atropelada por um ônibus. “Nem me toquei e quando vi, estava em cima. Admito que fui imprudente, mas é consequência da pressa”, justificou. Além disso, neste caso, o tempo do sinal não permite que o pedestre atravesse com segurança, já que quando o semáforo fecha para os ônibus abre para os demais veículos.

No caso do comerciário John David Mendes Pereira, que teclava no celular enquanto caminhava, também houve uma desculpa. “Foi uma urgência. Estou atrasado para o trabalho e a empresa estava falando comigo no Whatsapp”, alegou.

Mais educação. A desatenção dos pedestres, na opinião do superintendente executivo de Mobilidade Urbana de João Pessoa, Carlos Batinga, pode causar acidentes. “O pedestre precisa ter mais educação no trânsito”, ressaltou. Ele lembrou que a preferência na faixa só vale se não tiver semáforo.

“Em relação ao uso do celular, apesar de os motoristas usarem mais, também é grave o uso pelo pedestre porque tira a atenção. Já as calçadas, muitas estão inadequadas, esburacadas, com postes mal posicionados, ambulantes, barracas, carros estacionados. Nesse caso, o pedestre não usa porque não há condições”, analisou. Ele ressaltou que, a partir de novembro, utilizar celular ao volante passa a ser infração grave.

Batinga afirmou que é preciso rigor em relação ao trânsito. Na opinião do superintendente, quando o Pokémon Go chegar ao Brasil, a situação deve piorar. “Já é proibido usar o celular, imagine se usar um aplicativo que distraia mais. Esse é um problema sério e, talvez o uso do aparelho seja também o motivo de haver hoje mais roubo de celular. O jogo vai aumentar o risco de acidentes que podem ser fatais”.

Não chegou

Ainda não há previsão de lançamento do Pokémon Go no Brasil, mas o jogo já tem uma ‘fila’ de interessados em baixá-lo para fazer a experiência do game de realidade aumentada. Há quem já tenha baixado no Brasil, mas como o servidor ainda não libera para o País, o jogo não funciona corretamente.

“Comecei a jogar, mas o Pokémon virtual apareceu só uma vez. Não aparecem os mapas. Sei que é perigoso, acontece acidente, a pessoa sai andando e bate em carro, cai em buraco. Mesmo assim, quero baixar quando chegar no Brasil”, disse. A estudante Larissa Cristina Santos. A mãe, Meire Santos, não aprova a ideia. “Sou contra, porque além de acidente, deve aumentar o roubo de celular”, avaliou.

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