segunda, 23 de novembro de 2020

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Patriotismo toma conta de desfile cívico em JP

Ellyka Akemy / 07 de setembro de 2016
Foto: Assuero Lima
Embora o Brasil esteja passando por um momento conturbado em seu contexto político-econômico, os paraibanos afirmaram que ainda mantêm esperança em nossa pátria. Algumas pessoas entrevistadas pela reportagem ressaltaram que o amor que o brasileiro tem pelo País é maior do que qualquer dificuldade. Esses foram os sentimentos que prevaleceram, ontem pela manhã, durante o Desfile Cívico de 7 de setembro, que ocorreu na Avenida Duarte da Silveira, no Centro de João Pessoa.

Muitas famílias foram prestigiar o evento, como a do engenheiro civil Arão Alves, que levou pela primeira vez os dois filhos Miguel, de três anos, e Rafael, de cinco, para assistir ao desfile. “Temos que despertar desde cedo em nossas crianças o amor pelo nosso País. Porque temos que ter esperança de que ele ainda será um lugar melhor para se viver”, destacou.

A dona de casa Katiuscia Ramalho também levou a filha Thais, de nove anos, para conferir o desfile e declarou que “os brasileiros precisam ter fé em nossa nação”. Thais afirmou que ama nosso país e, apesar da pouca idade, comentou que o que a entristece é a violência urbana. O Brasil conquistou sua independência há 194 anos (1822), quando Dom Pedro I declarou a conquista política da então colônia que era subordinada ao domínio português.

O contexto social em que vivemos hoje é totalmente diferente daquele do século XIX. Mas, para a aposentada Edileide Silva, o Brasil ainda precisa conquistar a independência em alguns aspectos. Segundo ela, a população ainda não aprendeu a escolher seus governantes e que, por isso, o País vem sofrendo com tantos casos de corrupção. “Para mim, o pior bandido é aquele que rouba dinheiro da educação. É muito desumano você roubar o direito de nossas crianças”, comentou.

A engenheira civil aposentada Elisabeth Ramos, que assistiu ao desfile abraçada com a bandeira nacional, ficou emocionada ao falar sobre o amor que ela tem por nosso País. “Não sei explicar... Algo maior nos faz acreditar em dias melhores. Acho que não interessa a sujeira, sempre devemos acreditar em dias mais prósperos”, ressaltou.

O Dia da Independência do Brasil também fez muitas pessoas refletirem sobre as eleições municipais, que ocorrerão no próximo dia 3. Para o servidor público Roberto Carlos da Silva, já não há esperança na classe política e, em função disso, decidiu votar nulo este ano. “Os políticos não têm ideologia política. O que vemos é o poder pelo poder, e eu não compactuo com isso”, declarou.

O estudante universitário de Direito Wesley Cavalcanti comentou que espera que o atual contexto político nacional sirva de lição para que a população tenha a consciência da importância do voto. “Hoje [ontem] é um dia simbólico que nos faz refletir e nos traz um sentimento de esperança. As pessoas precisam acordar e entender que o voto é um instrumento de mudança e que somos nós somos os detentores desse poder”, destacou.

Desfile Cívico mobiliza três mil participantes

De acordo com a Casa Militar da Paraíba, responsável pela organização do Desfile Cívico, em média, três mil pessoas participaram do evento. Ao todo, passaram pela Avenida Duarte da Silveira 30 escolas das redes pública e privada, 20 entidades de classes, 600 integrantes da Polícia Militar e Bombeiro Militar, além de soldados das Tropas Federais e do Exército e integrantes da Polícia Rodoviária Federal e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Este ano foi aberta uma ala especial para a democracia, onde desfilaram movimentos sociais, como o Movimento dos Sem Terra. A assessoria de imprensa da Polícia Militar estimou que 12 mil pessoas assistiram ao desfile.

Como tradição, o Exército Brasileiro abriu o evento. Em seguida, a Polícia Militar desfilou apresentando ao público 14 pelotões. A Banda de Música da PM, sob regência do capitão Edson Pequeno, se apresentou com a música “O que é o que é”, de Gonzaguinha. O comandante-geral da PM, coronel Euller Chaves, afirmou que a instituição escolheu essa canção com o intuito de transmitir à população sentimentos de fé e esperança.

“A segurança pública é um sistema complexo que depende de vários fatores, como a família, a religião, a educação e a justiça. Vivemos em um meio à violência humana, e a Polícia Militar sozinha não conseguirá combatê-la”, destacou. O secretário de Segurança Pública do Estado, Cláudio Lima, também participou da solenidade. Questionado sobre como manter na população sentimento de esperança em um contexto social tão violento, ele ressaltou que “a violência nunca vai acabar, porque vivemos em uma sociedade plural”.

“O que podemos alcançar é uma relativa segurança, mas isso depende de leis, Justiça, um sistema prisional eficiente e política públicas eficazes. E, se for tratada apenas por pequenas ações, não iremos alcançá-la”, acrescentou Lima. A vice-governadora Lígia Feliciano prestigiou o Desfile Cívico e comentou sobre o contexto político que o Brasil atravessa.

“É importante entender que o País é maior que todas essas adversidades e, assim como em outros momentos, vai conseguir superar essa fase. O que esperamos é que esse contexto possa trazer mais transparência às gestões públicas”, declarou.

PROTESTO PACÍFICO

O Grito do Excluídos realizou um protesto contra o governo Temer durante o Desfile Cívico. O grupo se concentrou na Praça da Independência e marchou até a Avenida Duarte da Silveira, onde desfilou na via oposta ao evento principal. A reportagem não conseguiu localizar durante a passeata os organizadores para saber a estimativa de participantes. Entramos ainda em contato por telefone com Gleison Melo, um dos organizadores, mas as ligações não foram atendidas.

O auditor fiscal aposentado Glauco Gouveia, de 76 anos, afirmou que decidiu participar do movimento em defesa da democracia. “Não podemos reconhecer um governo que chegou ao poder por meio de um golpe, desrespeitado a decisão de milhares de brasileiros”, destacou.

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