segunda, 20 de maio de 2019
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Parque da Lagoa é local de convivência nas férias

Redação / 26 de dezembro de 2018
Foto: Reprodução
A Lagoa do Parque Solon de Lucena já foi cenário de uma das maiores tragédias da Paraíba – o naufrágio de uma embarcação que vitimou 35 pessoas na década de 1970. Ao longo da história, a Lagoa conviveria ainda com abandono do poder público, alagamentos e clima de total insegurança – e se a beleza do principal cartão postal da cidade impressionava do alto, decepcionava de perto.

Localizada no coração da cidade, o lugar também sempre foi o principal ponto de passagem para milhares de pessoas, mas dificilmente um ponto de parada. Há dois anos, essa história de contradições entre beleza e caos ganharia um novo capítulo, que mudaria definitivamente a relação do Parque Solon de Lucena com os pessoenses. Transformada em parque – de fato - pela Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP), a Lagoa se tornou um lugar de convivência plural, o espaço mais democrático da cidade e, muito provavelmente, um dos mais queridos.

Severino dos Ramos Silva trabalhou durante 14 anos como garçom em um dos bares da antiga Lagoa. Ele confessa que ainda hoje se admira como aquele ambiente barulhento, agitado, às vezes perigoso, se tornou um parque onde é possível reunir os filhos, fazer piquenique e brincar.

“É o meu lugar preferido na cidade – meu e deles também”, afirma Severino se referindo aos dois filhos, Beatriz, de sete anos, e Arthur, dois anos. “Trago eles sempre aqui e toda vez eu fico me lembrando do passado, quando eu vinha pra trabalhar. Tinha aquela agitação, sujeira, enfim, não imaginava que se tornaria o que é hoje”, completa.

Da agitação à calmaria

O Parque da Lagoa, com 12 praças, jardins, sombreados por ipês amarelos, oitizeiros, cássias, palmeiras imperiais, entre outras espécies, acabou se tornando refúgio para quem quer aproveitar para descansar minutos preciosos da jornada de trabalho diária. É o caso das amigas Rosário Tomás e Ubenice Pereira, que trabalham em uma loja de roupas perto do Parque da Lagoa. Elas acreditam, inclusive, que esse momento é fundamental para terem mais produtividade no trabalho.

“É ótimo. O ambiente, a paisagem. Lá na loja tem um local para descanso, mas a gente prefere vir pra cá, porque não se compara, a gente volta com muito mais disposição para o trabalho. É nosso cantinho no meio da natureza”, afirma Rosário, enquanto Ubenice ressalta o cuidado e a preservação do local. “Foi uma grande transformação, que fez com que as pessoas olhassem para a Lagoa de uma forma diferente. E é muito importante que se mantenha dessa forma, porque é nosso. Também venho sempre aqui com o meu neto, nos finais de semana”, afirmou.

O Parque da Lagoa se tornou tão familiar que é muito comum ver pessoas se alimentando em algum dos espaços, como opção mesmo de ambiente para refeição. O casal Anderson Felipe e Tatiane Medeiros tinha compromissos diferentes na agenda – ele, trabalho e ela, compras. Antes, porém, o almoço no Parque, juntos. “Antes eu passava por aqui e nem parava, mas hoje é difícil não parar, tanto que a gente preferiu almoçar por aqui mesmo, aproveitando para ver as pessoas caminhando, se divertindo”, disse Anderson.

Um lugar tão importante para a cidade, querido pelas pessoas, onde são protagonizadas incontáveis histórias de casais apaixonados, de gente que se cuida fazendo esporte, crianças que se divertem nos brinquedos, até situações do cotidiano, também não poderia deixar de estar no roteiro dos principais eventos culturais. Ao longo dos pouco mais de dois anos de revitalização, o Parque da Lagoa já recebeu inúmeros shows, concertos musicais, exposições e peças teatrais realizadas pela Prefeitura de João Pessoa, num movimento que acompanha o projeto de revitalização.

Ou seja, depois devolver o principal símbolo da cidade para os pessoenses com uma fisionomia bela e moderna, a sua ocupação na perspectiva artística dá ainda mais sentido ao Parque da Lagoa.

Estrutura do parque

Com investimento superior a R$ 40 milhões, a revitalização do Parque da Lagoa contou com 300 operários. São 12 praças, ciclovia, pista de cooper, pista de skate com padrão internacional, área para esportes radicais, com slackline e parede de escalada, além de um deck harmonizado com o Cassino da Lagoa e 35 mil metros quadrados de passeios pavimentados e ligados às quatro entradas do parque.

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