domingo, 09 de maio de 2021

Cidades
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Paraíba não consegue barrar bandidos

Ainoã Geminiano e Bárbara Wanderley / 11 de setembro de 2018
Foto: Nalva Figueiredo (JORNAL CORREIO)
O ataque contra a Penitenciária de Segurança Máxima Romeu Gonçalves de Abrantes, conhecida por PB1, em João Pessoa, mostrou que a segurança pública da Paraíba não está preparada para enfrentar bandidos com armamento pesado. O próprio governador Ricardo Coutinho disse que os bandidos portam armas semelhantes às que são usadas por terroristas e que a polícia não pode usar armamento desse tipo. Isso coloca as forças de segurança em desvantagem, em situações como o resgate no PB1.

Nas redes sociais, agentes penitenciários e policiais que estavam de plantão na guarda do presídio relataram cerca de meia hora de tiros ininterruptos contra as guaritas e os alojamentos, que ficam na frente da unidade, sem que nenhuma viatura conseguisse se aproximar em apoio. Isso porque, embora já tivessem sido acionados, os policiais não tinham como enfrentar metralhadoras calibre ponto 50, porque seriam facilmente mortos.

Segundo o secretário de Estado da Administração Penitenciária, tenente-coronel Sérgio Fonseca de Souza, no resgate de três presos, que resultou na fuga de outros 89 detentos do PB1, que fica no bairro de Jacarapé, pelo menos duas metralhadoras ponto 50 foram usadas pelos bandidos que vieram resgatar os comparsas. Ele explicou que são armas de exclusivo das Forças Armadas e não permitidas para as polícias estaduais.

Na avaliação do secretário, o que ocorreu foi uma ação pontual e planejada para resgatar Romário Gomes Silveira, o Romarinho, líder de uma quadrilha de quatro integrantes, especializada em roubo a bancos, que foi presa recentemente em Lucena, na Região Metropolitana de João Pessoa. Além de Romário, Antônio Arcênio de Andrade Neto e Vanilson de Pereira de Macedo também escaparam. O quarto que seria resgatado, Livaci Muniz da Silva, não conseguiu fugir.

A teoria surgiu após os vídeos das câmeras de segurança do presídio mostrarem que a cela de Romário foi a primeira a ser aberta. Uma vez liberado, Romário recebeu um fuzil e passou a comandar a ação, que envolveu de 20 a 30 homens armados. Não se sabe se todos os detentos tinham conhecimento do plano, mas o secretário lembrou que domingo foi dia de visita e é possível que algum recado tenha sido transmitido pelos visitantes.

Como aconteceu. Os homens aproveitaram a região de mata próxima ao presídio para se esconder e, de dentro da vegetação, começaram a atirar na guarita e no local de descanso dos 17 agentes penitenciários e 12 policiais que estavam de plantão. Segundo o secretário, os policiais ainda tentaram reagir, mas tiveram que procurar abrigo para não serem atingidos, já que o tiro de calibre ponto 50 é capaz de atravessar paredes.

Com os guardas acuados, o grupo aproveitou para se aproximar e detonar explosivos nos portões principal e lateral do presídio, sendo que este último foi por onde ocorreu efetivamente a fuga. Depois disso, com a ajuda de um alicate de corte a frio, eles abriram o cadeado da cela de Romário. Após liberarem o líder, o alicate foi largado, mas passou a ser usado pelos outros presos para abrir mais celas.

O secretário destacou que Romário já havia sido preso pela polícia paraibana duas vezes este ano. “Vamos prender a terceira vez”, garantiu. Para isso, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Euller Chaves, afirmou que mandou 1.000 homens às ruas e reforçou a segurança nas divisas da Paraíba com os estados do Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

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