sábado, 23 de fevereiro de 2019
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Paraíba é um Estado desdentado, revela IBGE

Lucilene Meireles / 23 de agosto de 2018
Foto: Chico Martins
Nove em cada cem paraibanos com idade acima de 18 anos já perderam todos os dentes, segundo a última edição da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A realidade está diretamente associada à escassez dos serviços odontológicos, especialmente para os que estão na faixa etária superior aos 50 anos e a população carente, que só tinham a extração como alternativa para aliviar as dores causadas por cáries profundas e não tratadas. Em João Pessoa, o percentual é de 6%.

Essa realidade de perda total dos dentes, segundo especialistas, está diretamente associada à escassez dos serviços odontológicos, especialmente para os que estão na faixa etária superior aos 50 anos e a população carente, que só tinham a extração como alternativa para aliviar as dores causadas por cáries profundas e não tratadas. O funcionário público José Ferreira chegou aos 70 anos sem um dente sequer. “Perdi todos porque não cuidei. Antigamente, era muito difícil fazer o tratamento, não tinha incentivo e a gente acabava deixando estragar. Depois, arrancava e pronto. Estava resolvido. Hoje uso prótese completa, superior e inferior, mas se pudesse voltar no tempo, com a consciência que tenho hoje, procuraria tratar”, declarou.

Reforçando os números da PNS, o exemplo do idoso reflete exatamente a realidade do Estado hoje, na avaliação do presidente do Conselho Regional de Odontologia da Paraíba (CRO-PB), Leonardo Oliveira. “É muita gente e isso é realmente a realidade. Passou muito tempo em que a população carente não tinha atendimento, e as pessoas só faziam extrair os dentes. Quando se pega uma população acima de 50… ou 60 anos, são muitos desdentados”, constatou.

Atualmente, segundo ele, existem as Unidades de Saúde da Família (USFs) que atendem as pessoas mais necessitadas. “Mesmo assim, não é (um serviço) muito a contento, embora seja melhor do que antigamente”, avaliou o presidente do CRO-PB. “Tanto as pessoas não procuram, como o número de atendimentos é insuficiente para atender a todos que precisam”.

Cárie: principal causa de perda

A principal causa da perda dos dentes é a cárie, seguida das doenças periodontais, que começam com a falta de uma boa higienização. Por conta disso, se forma a placa bacteriana que vai aumentando e causando o cálculo periodontal. Se não houver cuidado, a tendência natural, de acordo com o presidente do CRO-PB, Leonardo Oliveira, é a perda do tecido ósseo e do dente.

Dificuldade para mastigar é apenas um dos problemas gerados por essa perda, mas pode haver ainda alteração nos ossos da mandíbula.

“Principalmente, a oclusão dentária que é articulação dos dentes superiores com inferiores, que gera a ATM. Se perde todos os dentes, ou perder vários, há uma diminuição da dimensão vertical de oclusão desse espaço e pode causar muita dor temporomandibular”, explicou. Isso, porém, não quer dizer que todos vão ter problema de ATM, mas a maioria, sim.

Poder aquisitivo

Embora exista um serviço público mais sistematizado em relação ao atendimento odontológico da população na Paraíba, o presidente do CRO-PB, Leonardo Oliveira, afirmou que existem ainda muitos jovens que perderam dentes e com problemas que poderiam ser evitados com uma higiene correta e a visita periódica a um profissional. Porém, neste caso, a situação afeta especialmente quem tem menor poder aquisitivo.

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