quarta, 20 de janeiro de 2021

Paraíba
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Um ano após tragédia, cancelas são colocadas na linha do trem em Santa Rita

Aline Martins / 01 de abril de 2017
Foto: Divulgação
“Eu sei que as vidas que se foram como a da minha filha não vão voltar, mas fico feliz porque outras pessoas não serão vítimas de outro acidente como esse. Espero que essas cancelas fiquem para sempre e que não seja um fogo de palha”.

Foi o que comentou a dona de casa Rusiete Costa do Nascimento, mãe da adolescente Josivalda do Nascimento Medeiros (14 anos) que morreu no acidente entre um ônibus e um trem, em fevereiro do ano passado, no Distrito de Várzea Nova, no município de Santa Rita, na Região Metropolitana de João Pessoa.

Após um ano e um mês, duas cancelas foram instaladas pela Prefeitura da cidade e desde ontem estão em operação nesse trecho. Quatro pessoas foram treinadas para operar o equipamento.

Durante a solenidade de entrega, o prefeito Emerson Panta informou que serão instalados semáforos nas proximidades da linha férrea como outra medida de mais segurança durante a passagem.

Para operar as duas cancelas, funcionários da prefeitura foram treinados pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos de João Pessoa (CBTU). O diretor do Departamento Municipal de Trânsito (DTTrans), Marinaldo da Silva Santos, explicou que esses equipamentos funcionam manualmente. Durante o período da manhã ficarão dois canceleiros e a tarde, os outros dois. “Vamos agora ter mais segurança aqui nesse local”, frisou, destacando que os profissionais ficarão das 4h30 às 19h operando nesse local. Uma cabine também será instalada no local para dar suporte aos canceleiros. “Essa era uma demanda antiga da população e quando o prefeito Emerson Panta assumiu foi uma determinação dele que a gente viesse a colocar a reivindicação dos populares de Várzea Nova”, ressaltou.

Na manhã de ontem, o prefeito Emerson Panta fez uma vistoria nas cancelas e destacou a importante para a segurança da população. “Tendo em vista que nesse mesmo local aqui foi já houve uma terrível tragédia no nosso município onde foram a óbito algumas vidas e outros ficaram com seqüelas permanentes. E esse foi um compromisso da Prefeitura juntamente com a CBTU trazer esse equipamento de segurança para a nossa população”, afirmou o prefeito de Santa Rita, Emerson Panta. Ele ainda revelou que serão instalados três semáforos nas imediações da linha férrea. Ele ressaltou que há um estudo para ficar tornar mais seguro o local. Equipes constaram que em alguns testes feitos na operação das cancelas, o desrespeito por parte de alguns condutores, que insistiram em passarem por baixo das cancelas mesmo fechadas.

Modernização da linha. O gerente de planejamento e engenharia da CBTU, Cláudio Piccoli, revelou que há um projeto de modernização da linha férrea e dentre os pontos estão à implantação de cancelas eletrônicas, inclusive a entregue ontem, passará a ser automática. “Com a proximidade do trem não vai ter operador. Com o tráfego de dados, a cancela fecha. Vai ter semáforo e ele fecha também. E aí vai ser operado aqui, na praia de Bayeux e no trecho da Avenida Engenheiro de Carvalho, no porto de Capim e outros locais que também terão cancelas eletrônicas”, disse. A previsão é que o projeto comece a ser executado no segundo semestre. Também revelou que quatro cruzamentos serão construídos. O intervalo diminuiu de hora em hora para cada 20 minutos. “O que vai beneficiar muito a população”, afirmou. Piccoli frisou que o projeto de engenharia foi desenvolvido pela CBTU, por técnicos e entregues a Prefeitura de Santa Rita.

Sem indenização

A dona de casa Rusiete Costa do Nascimento perdeu a filha de 14 anos na tragédia. Já Francisco Lourenço sobreviveu, mas ficou com sequelas. Além das perdas e marcas físicas, eles têm em comum que ainda não foram indenizados pelos responsáveis. O sobrevivente trabalhava como pedreiro, mas com dificuldades de andar agora vive em casa. Ele recebe um auxílio por invalidez da Previdência Social, mas ainda não recebeu o seguro. “Está tudo na mão de advogados. Ninguém pagou a indenização”, afirmou. . Rusiete Costa informou que recebeu o seguro para acidentes, mas os responsáveis pelo acidente ainda não indenizaram as vítimas. “Só pagaram o funeral e nada mais”, afirmou.

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