quinta, 21 de janeiro de 2021

Paraíba
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Trens: uma história de 110 anos e um marco no desenvolvimento do país

Renata Fabrício / 26 de março de 2017
Foto: Chico Martins
Em outubro deste ano a chegada do trem em Campina Grande faz 110 anos. Com ele a esperança de desenvolvimento e progresso, mas com a federalização da malha ferroviária, e pouco tempo depois com sua concessão a uma rede privada, as ferrovias do Estado entraram em decadência e os investimentos cessaram.

“O trem é para pessoas que nunca dormem”, é assim que resume o ex-maquinista Josildo Brito a responsabilidade de levar determinadas cargas aos seus destinos. O trem, que ele conduzia contava com 30 vagões, com capacidade para 25 toneladas cada, fez com que Josildo conhece um Brasil nunca visto por ele até então, mas as histórias que ele compartilha até hoje, mostram que o trabalho era mesmo para pessoas responsáveis.

Em uma dessas viagens, antes de mesmo de cruzar a divisa da Paraíba, Josildo soube por outro trem que passou por ele que, horas antes, uma das locomotivas do trem havia arrancado a perna de uma menina. “A menina estava lavando panos e quando ouviu o trem passar inventou de pegar o tal do ‘morcego’ no trem. Como o trem anda devagar, dava para fazer isso, apesar de ser perigoso. Então ela escorregou e o trem passou por cima da perna dela. Levaram a menina de carroça para um hospital e felizmente ela sobreviveu. Nós só viemos saber do ocorrido quando chegamos cruzamos com outro trem em Galante”, recordou.

Havia também os que adormeciam à beira dos trilhos, e que traziam muita preocupação para quem comandava as locomotivas. Por ser um veículo grande, com risco de tombamento, a frenagem precisava ser feita com segurança a mais de 200 metros de distância. “Já aconteceu comigo de ter que parar o trem para acordar uma pessoa que adormeceu à margem do trilho. Se a pessoa acordar no meio do trem passando, não escapa viva. Algumas pessoas embriagadas costumava dormir bem perto e a gente precisava parar para tirar a pessoa. Eu mesmo já fiz isso muitas vezes”, lembrou.



Campina e o trem

A Estação Velha, construída próximo ao Açude Velho, é onde hoje funciona o Museu do Algodão. Para o pesquisador Josemir Camilo, a história do trem também merece um espaço assim. “A Estação Velha poderia ser um ponto turístico, poderia haver uma rota entre as duas estações. Campina deve tanto ao trem e não se tem um museu do trem”, avalia. Apesar de ser a estação mais antiga, ela é a mais bem cuidada. Lá está exposta uma Maria Fumaça, a segunda locomotiva trazida do Estado da Filadélfia, Estados Unidos em 1922.

Atualmente, a malha ferroviária de Campina Grande só funciona no período do São João com o expresso forrozeiro, com o transporte de pessoas da Estação Velha ao distrito de Galante. A empresa que cuida da malha ferroviária também já se mostrou desinteressada em reativar o trecho e pretende devolver as linhas ao governo federal.

De acordo com a nota da Ferrovia Transnordestina Logística (FTL), “a malha operacional da FTL conecta os estados do Maranhão, Piauí e Ceará ao longo de 1.191 quilômetros, transportando granéis líquidos e sólidos e oferecendo uma solução integrada de transporte, armazenagem e embarque. Os demais trechos ferroviários que compõem a concessão nos Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas, estão com tráfego suspenso e se encontram em processo de negociação para sua devolução junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit)”.

 

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