quinta, 21 de janeiro de 2021

Paraíba
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Sintonia que só pode ser atribuída a Deus

Lucilene Meireles / 12 de março de 2017
Foto: Assuero Lima
Em 2016, o professor Sérgio Aires conheceu o Instituto Revertendo o Autismo (IRA), entidade que atua na reabilitação de autistas e orientação às famílias, através de um amigo e apresentou o projeto da musicalização, que foi iniciado pouco tempo depois. No início, ele achou forte o nome do instituto ‘Revertendo o Autismo’. “Será que o transtorno seria capaz de ser revertido? Não seria dar falsas esperanças para as famílias?”, perguntou-se. Ele descobriu que não mais adiante. Nas aulas, além das crianças com autismo, as mães levavam os filhos que não tinham o transtorno e isso, conforme observou, acabou criando um ambiente de interação.

“Fui adaptando o modo de ensinar e isso foi muito rico, pois percebi que o fundamental era a relação de confiança. A partir daí, tiramos qualquer necessidade de ensino. Deixamos livre. Levamos brinquedos, colchão. A criança vai se ambientando, dá cambalhota. Com isso, a gente ganha a atenção delas. E elas se envolvem. Não precisa forçar a barra. É algo natural”, descreveu.



Por outro lado, a equipe também cobra a participação da família. Conforme Aires, a aula é só um momento de criar as referências que os pais vão reproduzir em casa. “Me sinto, de verdade, um aprendiz. Eu cheguei achando que iria trazer algo para ajudar com meus conhecimentos. Mas, na verdade, o maior beneficiário sou eu. É uma fonte de energia imensa. Esse contato traz revigoramento. Me sinto recarregado e muito feliz, pois sou testemunha da felicidade das crianças, dos pais. Vemos crianças se comportando como crianças, cada uma com sua individualidade”, disse o professor.

Alexia, para ele, é um caso à parte. “No dia em que a conheci, foi muito simbólico. Ela chegou um pouco atrasada, com uma sandália de laço. Ficou no meio da roda, mexendo o pé, mostrando a sandália. E eu não vi autismo naquela criança. Pensei que era mais uma das que acompanhavam um irmão ou irmã. Foi uma surpresa e aí eu entendi que ‘Revertendo’ não é uma palavra muito forte. Pude comprovar isso nesse caso. Era uma criança que não dormia, não alisava, não olhava nos olhos, não brincava, não falava. Hoje, ela faz tudo isso. É uma vitória impressionante e uma sintonia que só podemos atribuir a Deus”, completou.



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