quinta, 21 de março de 2019
Paraíba
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Polícia registra uma agressão contra mulher a cada duas horas na Paraíba

Aline Martins e Katiana Ramos / 31 de agosto de 2018
Foto: Rafael Passos
Em média, a cada duas horas, um inquérito policial de violência contra a mulher é instaurado nas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deams) na Paraíba. Somente de janeiro a junho deste ano, 1.959 inquéritos foram registrados, ou seja, 10 inquéritos por dia. Já de medidas protetivas foram solicitadas 2.054 no mesmo período. Embora a cada ano cresça a quantidade de denúncias no Estado, os números ainda não representam a realidade, pois nem todas as vítimas ou pessoas que tenham conhecimento da violência denunciam os agressores.

Entre as vítimas que continuam alimentando essa triste estatística de violência está a dona de casa Rita (nome fictício). Ela contou que sofreu agressões físicas e psicológicas pelo ex-marido durante anos, ciclo que foi quebrado há dois meses, quando pediu a separação. “Ele não se conforma e continua me ameaçando. Diz que vai tirar a guarda dos meus filhos mais novos. Fala que abandonei os meninos. Mas, não é verdade. Ele chegou até a jogar os meus documentos fora”, contou Rita, revelando que as ameaças de violência também partem de familiares do ex-companheiro.

Na tarde de ontem, ela foi uma de pelo menos cinco vítimas que compareceu à Delegacia da Mulher do Centro de João Pessoa para denunciar algum caso de violência. A coordenadora geral das Deams na Paraíba, delegada Maísa Félix, destacou a importância do registro doas agressões. “É importante que a vítima denuncie porque só assim ela sai do ciclo da violência, mas qualquer pessoa que tenha conhecimento do caso também pode denunciar”, ressaltou, destacando que a denúncia também pode ser feita por meio do telefone, o Disque 197. Para isso é necessário pelo menos informações como o nome da vítima e do agressor, histórico da violência e os endereços para que a Polícia tome providências.

De acordo com a delegada, a denúncia é o primeiro passo para a mudança. Ainda de acordo com a delegada, a violência contra mulher sempre existiu, assim como o machismo. “É uma questão cultural que impede que se torne cristalino os casos de agressão”, afirmou.

Já as medidas protetivas são mecanismos de caráter preventivo contra a violência doméstica e familiar e estão voltadas para providências urgentes. Conforme a Lei Maria da Penha há dois tipos: as medidas protetivas de urgência que obrigam o agressor a uma conduta e as medidas protetivas de urgência à ofendida (como o encaminhamento a programa de proteção ou atendimento, afastamento da ofendida do lar, separação de corpos, restituição de bens). Quando a mulher chega à delegacia pode solicitar a proteção, mas dependendo do caso a medida é automaticamente concedida.

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