quinta, 15 de abril de 2021

Paraíba
Compartilhar:

Paraíba comemora nível zero de desmatamento da mata atlântica

Lucilene Meireles com assessoria / 25 de maio de 2019
Foto: Assuero Lima
Paraíba comemora, pelo segundo ano consecutivo, o Dia da Mata Atlântica, que é comemorado na próxima segunda-feira, dia 27, com redução do desmatamento da floresta que é uma das mais ameaçadas do planeta. O Estado está entre os 17 que abrigam o bioma no Brasil e, junto com outros oito, tem nível zero de retirada da mata. Isso significa que o desflorestamento está abaixo de 100 hectares, o equivalente a 1 km².

Os dados fazem parte do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, um relatório técnico elaborado pela Fundação SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Para Geandro Guerreiro Pantoja, chefe da Divisão Técnico-Ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na Paraíba, a primeira explicação para que o Estado venha reduzindo o desmatamento é a fiscalização.

“Realizamos um trabalho de monitoramento através de imagens de satélite. Com isso, os alvos são observados com mais facilidade. Também temos feito a autuação dos desmatamentos irregulares, ilegais”, observou.

Outro ponto que favorece a redução da destruição da mata é que está havendo uma busca maior dos produtores rurais pela legalização ambiental. “Em várias fiscalizações, observamos que muitos possuem o cadastro e alguns possuem também autorização de supressão da Sudema. Então, é a consciência de não fazer errado e a busca maior pela legalização”, acrescentou.

Geandro relatou que existe um planejamento anual em relação à frequência de fiscalizações na Mata Atlântica, com quatro grandes operações anuais em parceria com o Batalhão de Polícia Ambiental, contando ainda com imagens de satélite. Para ele, a tendência é cada vez mais os produtores rurais buscarem a regularização ambiental, o que contribui para que a Paraíba consiga manter o que possui da reserva e evitando que haja desmatamento.

Brasil tem queda. Na reserva nacional, o relatório aponta que no último ano foram destruídos 11.399 hectares (ha), ou 113 Km², de áreas de Mata Atlântica acima de 3 hectares nos 17 estados do bioma. No ano anterior, o desmatamento tinha sido de 12.562 hectares (125 Km²). Entre 2016 e 2017, o índice de destruição foi o menor desde 1985, quando foi iniciada a série histórica do Atlas. No país, de acordo com o estudo, o desmatamento na floresta entre 2017 e 2018 caiu 9,3% em relação ao período anterior (2016-2017).

Bioma brasileiro



Marcia Hirota, diretora executiva da Fundação SOS Mata Atlântica, afirmou que a Mata Atlântica é o único bioma brasileiro com uma lei específica.

Ela destacou que o resultado positivo tem relação com ações afirmativas de monitoramento sistemático e combate ao desmatamento empenhadas por órgãos ambientais estaduais, polícia ambiental, Ministério Público e Ibama nos últimos anos.

O diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, Mario Mantovani, disse que é preciso ficar atento às mudanças propostas pelo atual governo federal que podem reverter as conquistas alcançadas até aqui.

“Não podemos permitir o enfraquecimento da gestão ambiental e nenhuma tentativa de flexibilização da legislação” enfatizou.

“Interessante notar que desde o período 2010-2011, quando o mapeamento começou a ser feito anualmente, essa é a primeira vez que o desmatamento diminuiu em dois anos consecutivos. O quadro é bastante promissor, mas é preciso manter o ritmo no combate ao desmatamento para não retroceder”, reforçou Ieda Del’Arco Sanches, pesquisadora e coordenadora técnica do estudo pelo Inpe.

Dia será festejado com duas trilhas



O Dia da Mata Atlântica terá comemoração na Paraíba. Hoje, dia 25, acontecem duas trilhas tendo como temática ‘Os sentidos da Mata Atlântica’. A atividade, promovida pela Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema), por meio do Jardim Botânico Benjamin Maranhão (JBBM), será aberta ao público com o objetivo de mostrar as características desse bioma de maneira recreativa.

As trilhas acontecem em dois horários, às 9h e às 10h30, para os visitantes. Serão disponibilizadas 10 vagas para cada turma, distribuídas por ordem de chegada. Para fazer as atividades é necessário que todos estejam usando calças compridas e sapatos fechados. “A trilha temática vai proporcionar aos visitantes um contato mais direto com a Mata do Buraquinho, através do estímulo de todos os sentidos: tato, audição, olfato, paladar e visão”, explicou a gestora do JBBM, Suênia Oliveira.

Relacionadas