domingo, 15 de julho de 2018
Paraíba
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Malha ferroviária da Paraíba começou a se deteriorar nos anos 60

Beto Pessoa / 31 de maio de 2018
Foto: Arquivo
Sete anos atrás, o último trem de transporte de cargas cruzava a Paraíba, levando nos seus vagões ferro do estado de Pernambuco para o Ceará. Este foi o ‘último suspiro’ da malha ferroviária paraibana, que desde os anos 60 foi sucateada e posta de lado, em detrimento dos investimentos feitos nas rodovias.

A greve dos caminhoneiros, que travou o abastecimento de postos de combustíveis, supermercados e outros serviços em todo País, trouxe à luz a dependência que o Brasil tem do setor rodoviário, muitas vezes principal via para transporte de cargas em algumas regiões, como a Paraíba, que se tivesse investimento em outras logísticas teria sentindo menos os efeitos da paralisação.

Isso porque a malha ferroviária que corta o Estado é extensa: do Porto de Cabedelo, ela passa por João Pessoa, Santa Rita e chega em Itabaiana. De lá, um entroncamento permite ao trem ir para Pernambuco. Outro, para Campina Grande, Patos, Sousa e seguir rumo ao Ceará e demais Estados do Nordeste.

Membro da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias no Estado da Paraíba (Sintefep), Anselmo Tavares defende que, se o setor não tivesse sido abandonado décadas atrás, a ‘tempestade’ causada pelas paralisações dos últimos dias teria efeito de simples ‘garoa’.

“A cidade de Bauru, em São Paulo, por exemplo, continuou tendo gasolina, etanol e diesel durante a greve, porque lá o combustível é transportado por trens. Nós temos na Paraíba uma malha ferroviária grande, transportávamos milho, açúcar, álcool, que poderiam continuar sendo transportados pelos trens. Temos uma grande indústria de cimento, que também poderia fazer uso dessas ferrovias. Mas ano a ano os investimentos foram paralisados e o país só investiu em rodovias”, disse.

O diretor do Sintefep explica que desde o governo de Juscelino Kubitschek, nos anos 60, o país paulatinamente deixou de investir em ferrovias, dando preferência à malha rodoviária. Em 1998, a malha foi privatizada e dali em diante perdeu vez e força por todo País.

“A greve dos caminhoneiros mostrou como estamos à mercê das rodovias. O Governo Federal, na época da privatização, deu muitos subsídios, as empresas faziam o que queriam e acabaram com nossa ferrovia. Ainda é possível recuperar, requer investimentos, mas as ferrovias são mais econômicas, não precisam de altas manutenções, como as rodovias. É um modelo interessante a médio e longo prazo”, destacou Anselmo Tavares.

Estima-se que um caminhão gaste até sete vezes mais combustível que um trem, levando em consideração a mesma carga e a mesma quilometragem percorrida. Isso quer dizer que, caso o país equilibrasse as alternativas no transporte de cargas, a dependência sobre as rodovias e o diesel diminuiria, ou seja, o País teria uma alternativa viável e mais barata para o translado dos seus produtos.

BRASIL

▶ No ranking de qualidade das rodovias, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial após analisar 136 países, o Brasil ocupa a posição 109, o que implica desgaste dos caminhões e demais veículos que circulam pelas estradas, além de mais gasto de combustível. No mesmo ranking, o país ocupa a posição 93 na qualidade da infraestrutura ferroviária.

▶ Pesquisa da Custos Logísticos no Brasil aponta que a malha rodoviária é utilizada para o escoamento de 75% da produção no Brasil, seguida da marítima (9,2%), aérea (5,8%), ferroviária (5,4%), cabotagem (3%) e hidroviária (0,7%).



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