sexta, 21 de setembro de 2018
Paraíba
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Mais de 43% das casas da PB ainda utilizam fossas sem rede de esgoto

Bárbara Wanderley / 27 de abril de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
Mau cheiro e esgoto a céu aberto fazem parte do dia a dia de moradores de um grande trecho da Rua São Judas Tadeu, no bairro do Rangel, em João Pessoa. Isso porque apenas parte da via possui saneamento básico, mas em um trecho de aproximadamente 600 metros, os moradores ainda usam fossas, que muitas vezes estouram e vazam para a rua. “Já fizemos todo tipo de apelo, mas o problema nunca foi resolvido”, disse o historiador José Carlos Oliveira da Silva, conhecido como Zizo, que mora no local desde 1970.

A falta de saneamento básico ainda é o maior problema de infraestrutura enfrentado pelas famílias paraibanas, sendo que 43,6% das residências ainda utilizam fossas que não estão conectadas à rede de esgotamento sanitário. O número aumentou, já que, em 2016, 39,9% dos domicílios não possuíam acesso à rede de esgoto. As informações são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Zizo contou que pelo menos uma vez ao ano precisa pagar para uma empresa limpar a fossa, serviço que varia entre R$ 140 a R$ 200, segundo ele. Quem não tem condições de fazer o serviço, acaba com a fossa estourada e vazando.

Já o pensionista Romildo da Silva Lima, morador da mesma rua, contou que precisou refazer a fossa da casa onde mora. “Era lá atrás, mas aí ‘arriou’ e eu tive que mandar fazer de novo aqui na frente”, afirmou apontando para uma tubulação na calçada.

A Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) informou que o uso de fossas sanitárias é o indicado para locais onde não há rede de esgotamento sanitário, mas que a existência de fossas não significa necessariamente que a rede não exista, já que mesmo nas ruas onde há rede operada pela Cagepa a ligação do imóvel é opcional.

Em relação à Rua São Judas Tadeu, a Companhia informou que há rede de esgotamento operada pela Cagepa apenas em parte da localidade. No trecho onde não há rede, os moradores devem utilizar fossas sépticas. O esgoto que corre a céu aberto deve ser derivado de ligações clandestinas e, nesse caso, a Secretaria de Meio Ambiente do município é quem deve fazer a fiscalização e autuação.

68% dos paraibanos têm casa própria e quitada

A maior parte dos paraibanos (68,3%) mora em residência própria e já quitada, enquanto 16,6% moram em imóveis alugados, 10,5% moram em imóveis cedidos, 4,2% moram em imóveis próprios ainda não quitados e 0,4% em outra condição.

Residências com três moradores prevalecem no estado, com o equivalente a 27,7% dos domicílios pesquisados, seguidas por residências com dois moradores, que são 24%. São 20,8% de residências com quatro moradores, 11,5% com apenas um morador, 9,5% com cinco moradores e 6,4% com seis moradores ou mais.

A pesquisa também apontou aumento no acesso à internet pelo aparelho televisor, que já supera os acessos através de tablets.

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