domingo, 09 de maio de 2021

Paraíba
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IPC ainda funciona em situação precária, apesar de denúncias

Bárbara Wanderley / 30 de agosto de 2018
Os peritos do Instituto de Polícia Científica (IPC) da Paraíba estão pagando para trabalhar. É o que afirma o presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais da Paraíba (Sindperitos) Herbet Boson Teixeira Silva. Segundo ele, todas as unidades do IPC na Paraíba funcionam de forma precária, o efetivo é muito menor do que o necessário e materiais como lanternas, lupas, trenas e maletas são comprados pelos peritos com recursos próprios, pois não são fornecidos pela Secretaria de Segurança Pública da Paraíba (Seds-PB).

Herbet afirmou que, assim como ocorria com o IPC de João Pessoa, que encontra-se interditado pelo Ministério do Trabalho desde o início deste ano, as outras unidades localizadas nos municípios de Campina Grande, na Borborema; Guarabira, no Brejo; e Patos, no Sertão paraibano, também funcionam precariamente.

O presidente do Sindperitos enfatizou que a situação de Patos talvez seja a pior entre os casos, pois o Instituto funciona em um local improvisado, uma casa que foi adaptada para a função. Um funcionário do IPC em Patos, que por medo de represálias preferiu não se identificar, afirmou que as condições de trabalho no local são de fato “precárias e insalubres”. O funcionário em questão disse que havia uma promessa de mudar o instituto para outro local, mas até o momento nada foi feito.

Para Herbet, o principal problema é que por não dispor de recursos próprios, o IPC depende de repasses financeiros da Seds e não há dinheiro para comprar materiais básicos. “Eu comprei do meu bolso um pó para revelar impressões digitais, que está faltando em toda a Paraíba, e custou R$ 500. Uma lanterna custa R$ 150, a maleta custa R$ 350. Comprei tudo com meu dinheiro, mas talvez outros colegas não tenham esse material porque a obrigação de comprar não é deles. O Estado é que deve fornecer”, contou.

A situação pode inclusive comprometer a qualidade dos exames, de acordo Herbet Boson. Ele explicou que não adianta ter um bom laboratório de DNA, por exemplo, se não há condições de fazer uma boa coleta do material genético.

“A sorte da Paraíba é que temos um excelente material humano. Os peritos daqui são muito esforçados, muitos compram o próprio material e fazem o possível para continuar com o serviço que é tão importante para a sociedade”, atestou o presidente do Sindicato dos Peritos Oficiais da Paraíba.

Poucos funcionários

O presidente do Sindperitos afirmou que há um déficit muito grande de funcionários no IPC do estado. Segundo ele, a situação ideal é que exista um perito trabalhando para cada cinco mil habitantes, sendo que toda a Paraíba possui quase quatro milhões de habitantes - de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - e apenas 270 peritos, cerca de 35% da quantidade ideal. Ainda de acordo com Herbet, o último concurso para a categoria foi realizado há dez anos, em 2008.

Diretor explica

O diretor do IPC na Paraíba, coronel Fábio Almeida, confirmou a carência de pessoal, mas não soube informar de quanto é o déficit. Ele afirmou que a partir do próximo ano, é provável que haja concurso público. O coronel explicou que, após a interdição, o IPC de João Pessoa passou a funcionar de forma descentralizada. Os exames em pessoas vivas, por exemplo, estão sendo realizados na Academia de Polícia Civil, enquanto o trabalho de identificação (retirada de documentos) na Central de Polícia. “Estávamos com uma demanda reprimida de mais 10 mil exames de identificação e agora temos apenas mil”, disse.

Segundo ele, já foram adquiridos insumos e Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e o IPC deve voltar a funcionar normalmente em novembro, após finalizar as adequações solicitadas pelo Ministério do Trabalho. Além das unidades de João Pessoa, Campina Grande, Guarabira e Patos, há a previsão da abertura de uma nova unidade em Cajazeiras, em novembro.

Após receber as denúncias de falta de materiais e precariedade nas condições de trabalho, o CORREIO voltou a procurar o coronel Fábio Almeida, mas as ligações não foram atendidas.

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