terça, 11 de dezembro de 2018
Paraíba
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Incêndios preocupam autoridades e cenário se agrava no 2º semestre

Lucilene Meireles / 01 de dezembro de 2018
Foto: Nalva Figueiredo
O clima seco é um dos principais causadores dos focos de incêndio na Paraíba, e o cenário se tornou ainda mais crítico no segundo semestre de 2018 por conta da falta de chuvas. Na comparação entre os primeiros seis meses deste ano e o período de julho a novembro, o número de queimadas registrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) no Estado teve um aumento superior a 900%.

“Geralmente, como o segundo semestre é mais seco, a tendência é sempre aumentar o número de focos de incêndio, principalmente entre os meses de agosto e outubro”, destacou o analista do Inpe, Pedro Lagden. Com o tempo muito seco, ele explicou que a probabilidade da queima aumentar é grande em todo o país. Porém, depende muito da chuva. “No Sudeste, por exemplo, chove bastante no verão, o que reduz a probabilidade de incêndios. Já na Paraíba, como o tempo fica mais seco, esse risco é maior”, destacou.

“Temos, na Paraíba, vegetação susceptível a esse tipo de ocorrência e a prática irregular de queimadas para reaproveitamento do solo para plantio. É muito comum, ainda, os bombeiros serem acionados para apagar fogo colocado em lixo e em terrenos baldios”, afirmou o tenente Gustavo Correia, do Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba (CBMPB),

Ele lembrou que os incêndios na vegetação se alastram de forma bastante rápida, causando diversos danos à população, já que a fumaça gerada é tóxica e prejudicial à saúde. O meio ambiente também sente os prejuízos, com a morte de espécies da fauna e da flora.

Focos na Capital. Na BR-230, altura do acesso ao bairro Bancários, várias árvores da reserva florestal foram atingidas por fogo recentemente. Porém, de acordo com o tenente Gustavo Correia, do Corpo de Bombeiros, não é possível afirmar a causa.

“Seria necessária uma apuração mais ampla para saber o motivo exato, pois os incêndios florestais podem se iniciar de diversas formas. A própria junção das condições climáticas e das naturais da vegetação tornam susceptível que qualquer faísca gere um incêndio”, afirmou.

Alerta foi dado desde junho

Em junho, o Inpe já alertava em relação ao aumento dos focos de incêndio, frisando que essa expansão seria significativa. A tendência, conforme o tecnologista do Inpe, Fabiano Morelli, seria de que, na segunda metade do ano, houvesse um crescimento bem superior aos dados registrados até então. “Na Paraíba, o período mais crítico deve ser no segundo semestre, principalmente a partir dos meses de outubro e novembro, por serem mais secos”, disse.

Na avaliação dele, além da contribuição do clima, a maior quantidade de focos também está associada à falta de conscientização das pessoas. “Quando é ano com alteração climática, a vegetação fica mais seca, o que favorece as queimadas, mas tem também a situação que é quando as pessoas põem fogo. A maioria das queimadas está relacionada com o uso do fogo pelas pessoas. O fogo natural é exceção e vem, por exemplo, por conta de um raio”, afirmou.

Causas e orientações. A maior parte dos incêndios em vegetação é causada por ações humanas, e uma das principais causas é a queima para limpeza e preparo do terreno antes de realizar o plantio. Muitas vezes, segundo o Corpo de Bombeiros, essa queima acaba perdendo o controle, ocasionando grandes incêndios.

“Além disso, ocorrem também incêndios criminosos, nos quais o cidadão provoca um foco de incêndio na vegetação por simples maldade ou falta de conhecimento dos danos que ele pode ocasionar com essa atitude. Outras situações seriam as citadas pontas de cigarro jogadas na vegetação, fogueiras acesas próximas a uma área de vegetação, fogos de artifício, balões”, elencou o tenente Gustavo Correia.

Ele explicou que as queimadas alteram e destroem o ecossistema do ambiente e para reduzir as que são feitas para limpeza de terreno voltado ao plantio, é necessário possuir autorização do Ibama.

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