sábado, 16 de fevereiro de 2019
Paraíba
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Estudante conta momentos de terror durante agressão de ex-namorado

Fernanda Figueirêdo / 10 de agosto de 2018
Foto: Reprodução/TV Correio
O aniversário de 12 anos da Lei Maria da Penha chega em meio a 81 casos de violência contra a mulher notificados no Estado somente no primeiro semestre deste ano. Nos últimos dias, o caso que mais ganhou repercussão na mídia foi o da jovem Géssica Oliveira, estudante de Odontologia no município de Patos, Sertão, que em uma viagem para Cancún, no México, teria sido agredida pelo namorado, o dentista Rodrigo Ferreira, e abandonada sozinha em um país totalmente desconhecido.

Em entrevista exclusiva ao colunista Celino Neto, do CORREIO, Géssica contou que estava se relacionando com Rodrigo há pouco mais de um mês e que, durante a viagem, ele demonstrou ciúmes excessivos e a agrediu fisicamente e psicologicamente. A estudante relatou ainda que precisou de ajuda da polícia federal do México e de funcionários do hotel onde estava hospedada para voltar à Paraíba com segurança.

“Infelizmente não tive como me pronunciar antes, por medo. Queria que todas as provas estivessem nas mãos da delegada para todo mundo saber meu lado da história.Foi um erro meu ter confiado em uma pessoa que eu conhecia há tão pouco tempo. Era pra ter sido a viagem dos sonhos. Quando chegou lá, por ciúmes, tudo virou um pesadelo. Sou digital influencer e ele viu uma conversa em uma rede social na qual meu assessor estava repassando uma informação a um seguidor. Ele disse que não era pra eu responder a homem. Percebeu que não tinha razão e quis entrar em outra discussão, por eu não ter postado nenhuma foto com ele nas redes sociais”, explicou.

Segundo a vítima, depois de um dia de pressão psicológica sofrida, Rodrigo a agrediu fisicamente após a jovem postar uma foto sozinha no Instagram. “Depois que postei a foto, ele brigou comigo na frente de todos do restaurante e tomou meu celular, todos viram. Quando voltei para o hotel e estava ajeitando a mala, ele me chamou de vagabunda e me de uma tapa, caí sobre a cama. Depois foram vários murros, eu só pensava que eu ia morrer, até achei que era melhor morrer de vez. Fugi, corri descalça, toda machucada, sem dinheiro, sem passaporte, em um país onde eu não conhecia nada”, disse Géssica.

A estudante, que é natural de São José do Egito, no Pernambuco, conseguiu voltar graças à ajuda de desconhecidos, brasileiros que trabalhavam em um hotel do México. Ela conta que Rodrigo tentou denegrir sua imagem para os policiais que atenderam a ocorrência em Cancún, dizendo que ela tinha outros homens e que o havia traído. “Era tudo mentira, mas ele tomou meu celular e através das minhas redes sociais criou uma história”, afirmou.

Com a passagem comprada, a segunda violência foi ter que viajar de volta no mesmo voo que Rodrigo. Os funcionários do aeroporto e comissários do avião foram avisados sobre a situação e alertados para a necessidade de manter as atenções voltadas para Géssica, para que o dentista não tentasse agredi-la novamente. Quando chegou ao Brasil, Géssica prestou queixa na Delegacia da Mulher de Afogados da Ingazeira-PE. “Já fiquei com medida protetiva para que ele não se aproximasse de mim. Mas ele me ameaçou por mensagens, ligava de outros números, foi um pesadelo”.

O advogado de Géssica disse que irá provar que Rodrigo praticou crime de lesão corporal,comprovado através dos laudos de exame de corpo delito realizados no México e no Brasil, crime de ameaça configurado em diversos momentos, além de crime cibernético, já que ele se apropriou das redes sociais dela para difamar e praticar atos de injúria.

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